Assim que pensou na possibilidade de ter um apartamento para chamar de seu, a designer de sustentabilidade Ana já sabia que seu futuro endereço precisaria estar em algum dos prédios antigos e charmosos que tanto admirava no centro de São Paulo. E sua escolha foi mesmo certeira: atualmente, seu lar conta com piso de tacos, janelas amplas e outros detalhes originais e preciosos, como o revestimento no chão da cozinha que se tornou um grande xodó da moradora e foi descoberto durante a reforma comandada pela MANA Arquitetura:

“No segundo dia de obra, recebi uma mensagem no celular com a foto de um pedaço do piso que haviam descoberto embaixo de dois revestimentos. A sensação era quase a de um arqueólogo descobrindo uma nova tumba no Egito: lembro que saí do escritório e vim direto para cá, mas como já era noite, não conseguia enxergar muito bem e usei a lanterna do celular para ver os detalhes. Era a coisa mais linda… chorei de emoção por ter algo original do apartamento e um trabalho artesanal que não se faz mais atualmente. No dia seguinte, lembro de voltar na obra toda empolgada para saber se conseguiríamos recuperar e fiquei muito feliz quando soube que sim”, conta a moradora. Com o ‘novo’ piso, foram necessárias algumas alterações no projeto, como redefinir parte da paleta de cores, mas não há dúvidas de que valeu a pena. Para Ana, até mesmo as marcas de desgaste nos azulejos têm sua poesia, pois são uma parte especial da história do apê.

Com a quarentena, Ana passou a ficar mais tempo na cozinha e aproveitar melhor tudo o que o espaço tem a oferecer: “Por uma questão de necessidade, descobri que sabia cozinhar e comecei a tomar gosto. Adoro quando uma receita fica boa de primeira e a cada dia vou descobrindo novas habilidades”, ela conta.

Através de uma porta de serralheria o cômodo se abre para a sala, enquanto do outro lado, perto da área de serviço, revela um pequeno terraço particular, onde Ana costuma fazer suas pausas durante o dia e admirar suas plantas, que estão sempre se multiplicando. Nesse cantinho, em meio às paredes pintadas em tom terroso, está mais um detalhe encantador e de reaproveitamento do projeto: um banco feito com os tacos originais da construção que, junto a algumas almofadas e uma luminária pendente garimpada por uma amiga, acabou criando um espaço bem aconchegante com clima marroquino.

Na área íntima, a reforma criou uma suíte charmosa com acesso ao terraço dos fundos. No quarto, Ana bolou uma decoração garimpada com a cama que já tinha e uma cabeceira antiga que é um verdadeiro tesouro. “A mesa lateral e a poltrona são heranças da minha avó e as outras mesinhas eram antigas e eu mesma pintei seus pés. O tapete eu trouxe na mala de uma viagem que fiz para o Peru: comprei sem saber onde iria colocar e ficou perfeito no meu quarto”, ela lembra. Por todos os espaços, é possível perceber o gosto da moradora pela mistura entre móveis clássicos, acabamentos rústicos e peças contemporâneas.

“Acredito que a casa é um reflexo de quem somos, então queria que a minha tivesse uma energia positiva, que preservasse valores ancestrais, uma história e um espaço de acolhimento. Tentamos imprimir alguns dos meus valores na casa e acho que deu certo”, se orgulha Ana.

Texto por Yasmin Toledo | Fotos por Maura Mello