Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

Abrir espaço para o presente, porém sem esquecer do passado. Foi esse pensamento que guiou a defensora pública Carolina e o advogado Eduardo na concepção de seu lar. O apartamento escolhido pelo casal fica em um prédio pertinho do centro de São Paulo construído em 1956, então o que não falta por ali é história. Aliás, o que atraiu a dupla foi justamente o fato de o lugar ter passado por poucas reformas ao longo das décadas. “Ainda havia muitos detalhes originais de época no apê. Ele não tinha sofrido alterações significativas em termos de layout, então preservou bastante do espírito dos apartamentos mais antigos, como os cômodos grandes, o piso de taco e as janelonas – que nós amamos!”, Carol explica.

Desde a primeira visita ao local, os dois se apaixonaram pelos elementos antigos conservados em cada ambiente: o piso da cozinha em granilite branco original; as maçanetas das portas; o piso de tacos; os vitrôs dos banheiros; as colunas de tijolo de vidro e por aí vai. Além disso, a amplitude dos espaços era bem promissora e trazia um ar de casa ao apartamento. Só faltavam mesmo algumas melhorias para o lugar ficar perfeito. E foi assim que começou a história da Carol e do Eduardo em seu novo endereço – o próximo passo seria a reforma.

Para deixar o apartamento ainda mais incrível, o casal procurou a arquiteta Teresa Mascaro por indicação da irmã de Carol, que já conhecia seu trabalho. “Dando uma olhada no portfólio dela, logo nos identificamos com o estilo dos projetos anteriores”, os moradores dizem. As obras no apê foram intensas e duraram 8 meses ao todo, mas o resultado valeu cada esforço. Ao mesmo tempo em que optaram por manter muitos dos elementos originais do imóvel, Carol e Eduardo também queriam misturar algumas referências mais contemporâneas, como as prateleiras de concreto armado na sala e na cozinha. “Outro ponto marcante do projeto é o uso do granilite, que é muito típico dos anos 50. O encontramos aqui na cozinha, e acabamos estendendo o mesmo material para a varanda, lavanderia e banheiros”, completam.

Por coincidência, até mesmo as soluções atuais da reforma acabaram resgatando lembranças do passado da construção. “Na sala, depois de decidirmos fazer um espaço que se assemelhasse com uma varanda – cortando o piso de taco para dar lugar ao de cimento – descobrimos, vendo a planta original, que ali havia realmente um jardim de inverno. E, em relação aos banheiros, depois de optarmos pelo granilite, já no meio da obra, descobrimos batendo papo com uma vizinha que eles eram originalmente também de granilite”, Carol comenta. Bons sinais de que os moradores fizeram escolhas certeiras! Outra surpresa interessante foi descobrir a parede de tijolos na sala em um dia de visita à obra.

Carol e Eduardo não são de excessos – e a decoração do apê reflete bem essa personalidade. Ao invés de encher a casa com vários adereços, eles se guiam pela ideia de não ter muito volume de móveis e objetos, e de escolher artigos mais simples e mais pessoais. Menos ostentação e mais afeto, esse é o segredo. Algumas das peças vieram da família de Edu e outras foram trazidas de viagens, como a pequena coleção de banquinhos da Grécia, de Moçambique e do Pará, por exemplo. Os quadros também não são muitos, mas todos emolduram lembranças felizes, pois foram presentes de casamento ou garimpos do casal.

“Gostamos que a casa tenha algumas referências brasileiras, como o tapete de fibra natural e as poltronas spaghetti na sala. Também buscamos itens em antiquários e lojas de móveis mais antigos, já que, desde a reforma, nossa ideia era preservar o clima original do apê e misturar com toques mais atuais e pessoais – o armarinho de farmácia que usamos na cozinha e o carrinho de chá, por exemplo, foram encontrados assim”, eles contam.


A distinção entre a sala e a ‘varanda interna’ acontece por meio do piso de seixos escuros. A mudança sutil dos acabamentos divide os ambientes sem fechá-los e traz uma cara de área externa. Quem também contribui para essa sensação são as plantas, formando uma espécie de cortina natural entre os espaços – um dos pontos altos da sala segundo os moradores. Elas dão uma impressão de aconchego e contato com a natureza, mesmo em um endereço praticamente no centro de São Paulo. O charme das plantinhas é tão grande que o Edu já transformou esse cuidado diário em um hobby.

O banheiro azul é o primeiro de três ambientes decorados com granilite em tons diferentes. A cor é uma das preferidas do casal e o material é tão apaixonante que acabou sendo usado também nas paredes. Esse cômodo foi diminuído durante a obra para dar lugar a uma varanda aberta para a cozinha, e se tornou ainda mais acolhedor. * Ficou curioso para conferir o restante dos espaços e descobrir todos os segredos do apê? Então não perca o Capítulo 2 dessa história aqui no blog!

Fotos por Isadora Fabian, do Registro de Dia a Dia

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