Arquitetura pura | Capítulo 1

Apê luminoso e acolhedor no famoso edifício Parque das Hortênsias

Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio.

Foi por um acaso que a psicanalista e gerontóloga Ana Lúcia conheceu o Edifício Parque Das Hortênsias, onde vive atualmente. Na época, em meados de 2016, ela visitava um amigo no mesmo endereço e o grande térreo cheio de plantas logo chamou a sua atenção. Por ter sido construído em 1957 e idealizado por ninguém menos que João Artacho Jurado, o prédio tem um jardim amplo e agradável, com bancos e espaço para receber. “Na planta original, o edifício contava com uma praça sem grades e nem portão, reflexo de uma São Paulo que ainda não se aprisionava em muros e condomínios”, a moradora diz. Todo esse clima a deixou fascinada e não demorou para que logo ela providenciasse um lugar ali para chamar se seu.

No apartamento, a primeira visita já definiu que seria necessário fazer algumas mudanças. A boa entrada de luz natural, a varanda ‘não-gourmet’ e a área de 128m² foram fatores positivos, mas ainda assim os materiais e a arquitetura revelavam uma reforma anterior bem característica dos anos 90. Os cômodos eram todos fechados, os banheiros tinham mármore demais, a cozinha era pequena e o corredor, longo e escuro. Fisgada desde o início pela arquitetura do prédio, Ana decidiu que a obra aproximaria o apê da estética geral do edifício, recuperando elementos modernistas da época de sua construção.

A escolha dos arquitetos para assumir a transformação foi simples: “Conhecia a Mariana Wilderom porque tínhamos amigos em comum e já tinha ouvido falar muito bem do trabalho dela com a equipe do Sabará Arquitetura”, a psicanalista lembra. A proposta dos profissionais foi a de um projeto um tanto quanto arqueológico, resgatando as características dos anos 50, mas em uma releitura moderna com um traço industrial. Durante o processo, algumas paredes foram removidas e Ana conta que foi uma alegria descobrir o potencial de iluminação natural ainda maior revelado pela demolição.

Imprevistos também aconteceram, como a necessidade de trocar o piso de madeira dos quartos e a descoberta de uma coluna de concreto bem no meio da sala. O elemento foi revelado durante uma sondagem e foi uma surpresa a coluna estar tão perto de uma viga de sustentação. Como Artacho Jurado, responsável pela arquitetura do edifício, é reconhecido por seu trabalho autodidata e sem formação acadêmica, o episódio acabou até gerando uma brincadeira: “Mas é que o Artacho não era arquiteto!”, diziam.

Na hora de preencher os espaços, Ana investiu em uma marcenaria que fosse ao mesmo tempo cheia de personalidade e também funcional para o dia a dia. Já para a escolha dos móveis e materiais que fariam parte dos cômodos, a moradora acessou suas memórias mais afetivas da infância, atribuindo significado mesmo para peças novinhas em folha — que na prática não carregavam grandes legados, mas logo ficaram repletas de simbologia:

“A cadeira de palhinha lembra a poltrona de balanço do meu avô paterno e as poltronas Acapulco remetem às cadeiras dos alpendres das casinhas coloniais do interior de Minas Gerais, em Sabinópolis, onde nasci. As bancadas de ardósia me resgatam a memória da varanda da casa no interior, que era lustrada com muita cera e virava um escorrega no banho de mangueira todas as tardes. O piso de granilite me lembra de quando cheguei em São Paulo e visitava os prédios modernistas antigos. Eu achava lindo e gostava de tirar os sapatos para pisar descalça. Minha varanda com o chão neste tom de branco com cor de rosa me conta sobre um passado geracional com beleza, delicadeza e um toque de valorização feminino”.

Assim, com dedicação e boas memórias, cada cantinho iluminado do apê de Ana se enche de harmonia e conforto, criando o cenário perfeito para bons momentos de convívio e acolhimento. * Fiquem ligados para não perder a continuação dessa história! 

Fotos por Maura Mello

CONTINUA

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COMENTÁRIOS # 4

  1. Amei esse rack e esse aparador! Queria saber onde ela comprou.

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    • Oi Sofia, tudo bom?
      Se não estamos enganadas, os móveis foram desenhados pela arquiteta Mariana Wilderom.
      Beijos

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  2. Adorei a história e a casa! Linda e com cara de gente! Mais surpresa ainda com a revelação da moradora de ter nascido em Sabinópolis, onde eu também nasci, e sempre acho que ninguém mais conhece essa curva de Minas Gerais

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    • Hahaha, muito legal vocês terem vindo da mesma cidade. Como comentamos no instagram, parece que a moradora conseguiu de alguma forma interpretar esse charme do interior no apê, né?

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