Entrar na nova casa do Fabio causa um impacto inevitável: as grandes janelas redondas já dão boas-vindas e mostram a originalidade do arquiteto mineiro para esse projeto. Ele demoliu a antiga construção que havia no espaço, porém buscou preservar o máximo de materiais para reaproveitá-los futuramente. É isso mesmo: o morador comprou um terreno na mesma rua em que já vivia antes e construiu seu novo lar do zero. “A casa original – antiguinha, do jeito que eu gosto – infelizmente havia sido totalmente descaracterizada ao longo dos anos. Na demolição, foi possível resgatar várias madeiras, tijolos e até os batentes de porta que eram de peroba. Tudo isso foi reutilizado”, Fabio lembra.

O resultado desse resgate pode ser visto em inúmeros detalhes da casa atual. Inclusive, o morador tem olhar afinado quando o assunto é reaproveitamento de móveis, objetos e materiais. Os batentes de porta se transformaram em tampo de mesa, por exemplo. Ali perto da cozinha, integrada com a sala, uma estante antigamente utilizada como correio se transformou em uma adega, enquanto a torre de dentista feita de ferro – um dos garimpos favoritos de Fabio – virou suporte de plantas, como se fosse uma pequena árvore.

Aliás, sua paixão por plantas não é de hoje. Nós já visitamos a casa anterior do Fabio e, desde então, ele tinha a preocupação em criar ambientes repletos de verde. Na construção nova, a ótima iluminação ajuda a cuidar dessas companheiras de longa data, mas o que revela o sucesso com as folhagens é a maneira como o arquiteto enxerga a morada: um lugar em que tudo foi pensado e montado aos poucos, como um verdadeiro processo manual que merece atenção plena. “Nunca procurei ideias mirabolantes de design, mas sim a harmonia dos materiais e do espaço, a relação da casa com o ambiente externo, com as coisas naturais, e principalmente com as plantas”, ele conta.

Arquitetura com estilo industrial, casa com tijolinhos e plantas, janelas redondas
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“Meu processo como arquiteto sempre foi priorizar o trabalho manual, quase como um artesanato. Isso às vezes toma mais tempo numa reforma, mas deixa os ambientes e o conjunto da obra muito mais humanizado e personalizado, diferentemente de muitos projetos difundidos hoje em dia, que priorizam a velocidade, produção e quantidade”, completa o morador. E para uma casa transbordando vida e criatividade, essa concepção ultra pessoal tem todo o sentido. Além das janelas redondas que fazem toda a diferença no visual da sala e da cozinha, a parede de vidro que dá para um dos jardins cria a sensação de se estar em uma casa aberta ao mundo.

A área do jardim é um limite entre esses dois universos. A escada, conectada com a sala de estar, leva diretamente para o espaço repleto por mais verde e ótimo para aproveitar os dias de sol e as noites agradáveis ao lado dos cachorros. O reaproveitamento também está por lá, basta olhar para a mesa de centro feita de madeira. Aliás, esse foi um dos poucos itens trazidos da antiga casa do morador, já que muitas peças foram pensadas exclusivamente para o novo teto e criadas do zero por Fabio.

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Seja no jardim ou na ampla sala, um elemento está sempre presente na casa do Fabio: a alma. Se a área externa é o lugar propício para sentir a amplitude de estar ao ar livre, a área social se transforma nesse ambiente integrado e com pé-direito alto, como uma extensão de tudo o que está em volta do imóvel. Todos os cantos ficam visíveis, prontos para serem observados com mais paciência. Essa movimentação curiosa e aconchegante é a inspiração do lar para o arquiteto: “Eu sou alguém que o tempo todo repara nos detalhes e no cotidiano das pessoas. Observar um lugar, um objeto ou as pessoas, sem tentar aplicar nossos filtros internos, nos abre uma possibilidade enorme para as coisas”, diz. E realmente, essa é uma casa de possibilidades.

Texto por Natália Pinheiro | Fotos por Rafaela Paoli