Paredes pintadas de roxo e laranja, teto preto e cômodos sem nenhum compartimento. Dá para imaginar que o apartamento onde moram a historiadora Bianca e o arquiteto José era assim quando o casal o visitou pela primeira vez? Porém, isso se tornou apenas um detalhe sutil perto de todos os pontos positivos do apê: boa localização no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro; muita iluminação natural; uma varanda aconchegante e “a vista deslumbrante que, sem dúvida, foi o que mais nos cativou”, contam. Juntos há seis anos, eles se mudaram para esse endereço de 120m² há apenas dois, no começo de 2020. “Antes daqui, estávamos em um quarto e sala simpático no mesmo bairro, mas que possuía apenas 30m². Depois de quase quatro anos, sentimos a necessidade de mais espaço”, explicam. 

O apê praticamente sem nenhuma divisão foi o achado ideal para o casal: “Como ainda não temos filhos, o fato de o apartamento estar no “osso” era algo muito positivo”. A liberdade para criar foi imensa e os dois a aproveitaram muito bem. Bia focou no garimpo de móveis antigos, enquanto Zé ficou na manutenção de toda a infraestrutura. Eles esboçaram as mudanças, os lugares ideais para as novas peças da casa e colocaram o plano em prática. O que sobrou das paredes coloridas de antes foram apenas os canos pintados de preto. De resto, tudo ganhou camadas de tinta branca – e de rosa, só na varanda, que tem uma ducha perfeita para os dias quentes do Rio e muitas plantinhas.  

“Havia pouca infraestrutura elétrica, sanitária e as esquadrias estavam bastante danificadas. Consertamos as janelas, detalhes de paredes, pintamos e ajustamos a hidráulica da área de serviço. O mais trabalhoso foram as marcenarias, feitas por nós”, lembram. A divisória do quarto foi executada pelo casal, assim como a montagem de quase todos os itens de marcenaria espalhados pelo apartamento. Na decoração, vale destacar os diversos garimpos da Bia que, aos poucos, fizeram a composição inteira do que é o lar hoje. Ela pesquisou antiquários, ficou de olho em peças que conhecidos não queriam mais e descobriu sistemas mais baratos de organização. “O apartamento é de uma historiadora de bom gosto e de um companheiro arquiteto auxiliando (risos)”, os dois brincam. 

Cômodos integrados e móveis garimpados em apartamento no Rio de Janeiro
Cômodos integrados e móveis garimpados em apartamento no Rio de Janeiro
Cômodos integrados e móveis garimpados em apartamento no Rio de Janeiro
Cômodos integrados e móveis garimpados em apartamento no Rio de Janeiro
Cômodos integrados e móveis garimpados em apartamento no Rio de Janeiro
Cômodos integrados e móveis garimpados em apartamento no Rio de Janeiro
Cômodos integrados e móveis garimpados em apartamento no Rio de Janeiro
Cômodos integrados e móveis garimpados em apartamento no Rio de Janeiro
Cômodos integrados e móveis garimpados em apartamento no Rio de Janeiro

É possível dizer que a casa foi mobiliada por conta da dedicação no garimpo. E não é exagero. “Nós encontramos muitas pessoas se desfazendo de móveis e objetos interessantes e que por isso saíram em conta, como o escaninho da entrada, algumas das mesas, a maioria dos tapetes e até o sofá e a poltrona da sala de estar. Quase nada nesta casa foi comprado novo… e esse encanto por objetos com história é algo que nós temos em comum”, dizem. É por isso que, além dos móveis antigos, peças das duas famílias também estão no apê povoando o universo do casal, como alguns quadros feitos pela tia do Zé, que é artista plástica; o banco de madeira com mais de 40 anos que a Bia recebeu de sua mãe e outros itens vindos do consultório da mãe psicanalista do morador.  

Alguns quadros de amigos artistas também estão pela casa, ajudando a trazer a presença de pessoas queridas para mais perto. Porém, a vontade do casal é de reunir todos em volta da mesa de jantar para contar experiências e trocar aprendizados. “O que mais gostamos da casa – apesar de não ter exercido isso ainda com muito vigor devido à pandemia – é a capacidade de receber a família e os grandes amigos. Por conta da vista e da amplitude, nos sentimos confortáveis em passar muitas horas aqui”.  

Essa sensação de acolhimento e fluidez foi importante para os dois, já que desde a mudança o tempo passado no apê foi bastante intenso, seja pelo trabalho ou pela vida cotidiana. Tanto a Bia como o Zé são pesquisadores e docentes, o que traz como prioridade espaços separados de home office para dar aulas online, estudar e ler. Para ambos, o cantinho de leitura era essencial, visto os diversos livros que expõem na estante: “Queríamos ser maiores leitores de ficção (risos). Mas na verdade a maioria dos livros tem a ver com o trabalho de pesquisa acadêmica”.  

Cômodos integrados e móveis garimpados em apartamento no Rio de Janeiro
Cômodos integrados e móveis garimpados em apartamento no Rio de Janeiro
Cômodos integrados e móveis garimpados em apartamento no Rio de Janeiro
Cômodos integrados e móveis garimpados em apartamento no Rio de Janeiro
Cômodos integrados e móveis garimpados em apartamento no Rio de Janeiro

No meio da rotina, eles encontram o encaixe perfeito pra se curtir e aproveitar a casa. “O ‘cafezinho’ é sempre especial. É quando paramos e nos paqueramos um pouco. Mas a sala, ao final da tarde, também traz uma alegria sem fim… todo pôr do sol é diferente! E é onde jantamos e bebemos juntos, onde curtimos o começo da noite a dois ou com os amigos”, eles dizem. A mesa de jantar ampla se junta com o aconchego da sala de estar, que por sua vez, os convida a esticar o encontro para a varanda, seja para contemplar a vista ou descansar o corpo depois de um longo dia. O clima é de calma e paz, exatamente do jeito que eles gostam: “Um lar deve transmitir as sensações que forem mais convenientes para quem o habita. No nosso caso, tranquilidade, um horizonte para olhar, silêncio e conforto”. O simples, mas com verdade e autenticidade! 

Texto por Natália Pinheiro | Fotos por Felco