A ideia de morar em Lisboa só trouxe bons frutos para Cecile e Manuel. Nesses sete anos em que o casal vive em Portugal, são quase dois anos em um prédio antigo em Campo de Ourique com os filhos pequenos. A varanda permite um momento de contemplação da paisagem, enquanto a ampla sala de estar se transforma em um refúgio de calma para a família. O apartamento, construído em 1989, estava em bom estado na época da mudança, mas os moradores resolveram fazer algumas transformações nos banheiros e principalmente na cozinha, um dos cômodos mais usados por eles para reunir afeto e boa comida em volta da mesa.

“Ficamos com a cozinha que já existia, mas colocamos azulejos em cima dos antigos, removemos uma parede para ganhar espaço e conseguimos colocar uma mesa para o dia a dia”, eles contam. A reforma valeu a pena e deixou as manhãs mais agradáveis para o café e o tempo passou a ser mais aproveitado na hora de preparar algum prato. “Gostamos de cozinhar, mas temos fases. Às vezes, é o Manuel que cozinha. Às vezes, sou eu”, conta Cecile. No cardápio, a mistura de pratos familiares portugueses com receitas francesas é sempre a principal escolha do casal.

O que também ganhou novos detalhes foram os banheiros. O projeto original incluía fazer a reforma dos dois cômodos, mas a pandemia mudou os planos do casal e apenas um deles passou por toda a transformação até agora. Mesmo assim, a vontade de colocar um item específico no cômodo não ficou de fora: os azulejos. “É o que eu mais gosto na decoração. Foi sempre um sonho, mesmo que seja uma loucura para manter!”, diz a moradora. A escolha por um tom mais leve, porém com personalidade, se espalha por todo o resto da casa.

As paredes brancas dão espaço para o sofá escuro, as cadeiras coloridas na sala de jantar, as obras feitas por amigos e objetos dos mais variados tipos. Os quartos também seguem a mesma tendência de pontuar cores com singularidade e atenção, transformando o apê em um lar convidativo e aconchegante, mas sem deixar de lado a vivacidade dos moradores que estão sempre em busca de novas configurações na própria decoração. Junto disso, vem a vantagem de viver em um apê maior, que mudou a perspectiva do casal quando o assunto é receber visitas. “Na nossa antiga casa não tínhamos muito espaço para receber amigos ou mesmo família. Agora que temos, deu-se o Covid! Sobretudo temos uma mesa grande que é perfeita para sentar até oito pessoas. A nossa varanda é igualmente um lugar super simpático para se beber um copo”, contam.

Enquanto eles esperam para estrear a nova casa ao redor de pessoas queridas, o cotidiano traz momentos para a família aproveitar as descobertas que podem ser feitas por ali. Porém, uma coisa já é certa: o lar de Cecile e Manuel só se parece com eles porque a atenção está no valor sentimental daquilo que entra dentro de casa: “A dica para um lar com personalidade é não ter demasiado objetos, mas sim objetos que sejam relacionados com histórias, viagem, família e amizade”. Assim, eles encontraram a melhor maneira de ocupar um espaço para chamá-lo de lar.

Texto por Natália Pinheiro | Fotos por Gui Morelli