As janelas e portas de madeira são apenas alguns dos muitos detalhes charmosos na casa de vila onde o cineasta Nikolas mora. A boa iluminação natural que entra por elas realça o piso em tom verde claro que está presente em quase todos os cômodos. Porém, o que mais chamou a atenção do morador quando visitou o espaço pela primeira vez foi a biblioteca, que também serve de escritório: “Eu não teria escolhido essa casa se não fosse por esse canto. Eu buscava um lugar que comportasse meus livros e que nutrisse meu desejo de ter ainda mais”, ele brinca.

As mudanças na construção antiga foram comandadas pelo arquiteto Luiz Gustavo Sobral Fernandes, do escritório Meridional Arquitetura, como a escolha das cores espalhadas pela casa, a troca de acabamentos, o paisagismo, a iluminação e a marcenaria, incluindo o projeto do armário do quarto – que fica no mezanino. Quando Nikolas alugou o imóvel, ele já não precisava de alterações, então o próximo passo foi habitar o espaço. Para isso, os móveis e objetos de Nikolas vindos de suas casas anteriores entraram em cena. “Houve uma seleção de peças, pois sempre vivi em locais maiores. Isso me levou a escolher realmente quais iriam ficar e quais teriam que ir embora”, o morador lembra.

Casa de vila antiga com reforma e janelas de madeira
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Casa de vila antiga com reforma e janelas de madeira
Casa de vila antiga com reforma e janelas de madeira
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Esse movimento o fez perceber que seu estilo mudou muito nos últimos anos: “Acho que eu tinha um lado minimalista, mas sem entender ao certo o que isso significava. Hoje, noto que ainda tenho esse espírito no que diz respeito a possuir poucos móveis e objetos, mas com alto grau de escolha e precisão para que tragam conforto e aconchego”. Além disso, Nikolas sente que todo esse processo fez com que ele fosse filtrando os itens que o interessavam mais. Assim, ele ficaria “somente com o que realmente tivesse utilidade, fosse funcional ou estética”, completa. A inspiração para compor o lar, além do olhar minimalista, está também em seu trabalho, o cinema.

Inclusive, é fácil deduzir que o home office se tornou o lugar preferido de Nikolas. As prateleiras estão nas duas paredes que delimitam o cômodo. No lado em que os livros chegam até o teto, a escada de madeira ajuda o cineasta na hora de escolher um exemplar, enquanto no lado oposto ficam alguns dos títulos favoritos. Para ele, a relação com a leitura permeia as experiências do cotidiano, mostrando que tudo está conectado. “Adoro passar o dia no escritório, é onde leio o jornal da manhã e sigo o dia trabalhando. Contudo, também uso bastante a área externa para leituras e refeições”, diz.

Nesses momentos, o silêncio é essencial. Inclusive, a escolha de Nikolas pela casa número 7 tem tudo a ver com isso: morando em uma vila, o movimento é tranquilo e ele consegue aproveitar a companhia dos livros ao máximo. Outro ponto positivo é o senso de comunidade que existe ali: “A vizinhança é muito gentil e todos nós nos ajudamos. Nos dias quentes, as pessoas saem para a rua e colocam cadeiras na frente das casas. O senso comunitário é diferente de tudo que já havia experienciado”.

Casa de vila antiga com reforma e janelas de madeira
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Casa de vila antiga com reforma e janelas de madeira
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Casa de vila antiga com reforma e janelas de madeira
Casa de vila antiga com reforma e janelas de madeira
Casa de vila antiga com reforma e janelas de madeira
Casa de vila antiga com reforma e janelas de madeira
Casa de vila antiga com reforma e janelas de madeira
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Para ele, chamar uma casa de “lar” requer um passo mais profundo para a subjetividade, deixando um pouco de lado a materialidade das coisas. Como isso é possível? Nikolas tem uma pista de qual seria a resposta: “A diferença de um lar para uma casa é que a ‘casa’ é um amontoado de tijolos, enquanto o ‘lar’ é outra coisa. O lar me remete a imagem de um navio, que mantém suas turbinas ligadas a todo vapor, trazendo mobilidade e calor ao ambiente. Nele, as coisas encontram seus lugares: a mesa, a cadeira, o tapete… assim como os diversos “eus” que nos habitam. O sujeito que mora em uma casa é sempre visita, já quem habita um lar é sempre navegante de sua nau”.

Texto por Natália Pinheiro | Fotos por Felco