Suvinil e Histórias de Casa

É um apartamento, mas às vezes nem parece. Essa é a sensação que o fotógrafo Alex tem da própria casa, que fica no andar térreo do charmoso prédio Santo Antônio, abaixo do apê de Lena e Fabrizio. Já são três anos morando ali, mas a dinâmica dos espaços nunca é a mesma: “Eu me preocupo muito com a posição das coisas e com a iluminação, então com o tempo fui mudando os objetos de lugar… acho que ainda não terminei de deixá-lo como eu quero, mas a sensação que procuro é a de uma casa do interior, um ambiente simples, funcional e organizado”, ele diz. A amplitude do apartamento com poucas divisões e a decoração ajudam o morador a chegar cada vez mais perto dessa praticidade.

O engraçado é que Alex não estava buscando um novo apê quando seus amigos, proprietários do imóvel, ofereceram o lugar assim que o antigo morador saiu. Por outro lado, o fotógrafo já tinha essa vontade de desacelerar e fazer do seu lar um ambiente de aconchego, daqueles que, mesmo longe, dá vontade de retornar sempre – e como Alex viaja muito a trabalho, isso era importante. A estrutura do prédio também o convenceu a fazer a mudança de fato: sem elevador e sem portaria, tudo pareceu mais simples e do jeito que ele queria. 

O último empurrão foi o fato de tudo já estar reformado, então não houve a necessidade de grandes intervenções. Aos poucos, o apê ganhou a cara do Alex, que investe no valor afetivo dos itens: “Cada objeto que coloco aqui representa uma história. E algumas peças eu fiz ou reformei quando tinha um tempo livre, como é o caso do bar e de algumas luminárias”, conta. A coleção de câmeras também é especial para ele, e inclui uma dada de presente por um amigo quando Alex decidiu que seria fotógrafo. A filmadora que era de seu pai completa esse espaço de memórias com uma fita VHS ainda dentro do aparelho, atualmente quebrado. “Estou dando um tempo para um dia descobrir o que tem gravado lá”. 

apartamento térreo com quintal
apartamento térreo com quintal
apartamento térreo com quintal

Por falar em tempo, o ukulele perto da mesa de trabalho é um ótimo exemplo dessa relação duradoura com objetos, só que por uma perspectiva um pouco mais divertida. “Ele está aqui somente por vingança e agora virou parte da decoração”, ele brinca. Em 2005, o fotógrafo emprestou sua bateria para uma amiga que iria fazer um show com a banda dela, só que esse empréstimo foi longo: o instrumento só foi devolvido dez anos depois, em 2015. Na mesma época, a colega se mudou para a Espanha e pediu um favor: “Ela deixou o ukulele comigo para eu cuidar e devolver quando voltasse. Ela voltou, mas eu disse que só devolvo depois de dez anos. Faltam quatro”, ele conta. 

O morador é muito ativo na relação que constrói com o espaço em que vive, e a quarentena potencializou essa característica. O quintal ganhou mais atenção depois que a Suvinil pintou a fachada do prédio, já que a cor Meia-Luz usada na transformação mudou também o espaço que Alex reserva para os momentos de reconexão com a natureza: “Apesar de encher essa parte do apartamento com plantas, a pintura antiga e falhada sempre dava a impressão de um lugar caótico. Agora, com esse tom rosa, meu quintal ficou com um visual mais limpo”, diz. 

O fotógrafo aproveitou as novas cores no cotidiano para pintar o quarto também, com um azul clarinho que combinasse com a suavidade dos outros cômodos. Dessa vez a cor escolhida foi a Luz da Lua, também da Suvinil. Os tons calmos na decoração foram fundamentais para compor a atmosfera que ele queria: “As cores em casa têm um importante papel pra mim, elas me ajudam a ter percepções e sensações. Eu prefiro cores claras para que possa me sentir em paz”, conta. 

apartamento térreo com quintal
apartamento térreo com quintal
Parede na cor Luz da Lua, da Suvinil
apartamento térreo com quintal
apartamento térreo com quintal
Parede na cor Luz da Lua, da Suvinil
apartamento térreo com quintal

Nesse tempo de isolamento, estar em um lugar acolhedor e tranquilo foi essencial para o morador, mas a vizinhança também fez a diferença, claro: “Nós conversamos pela janela e cantamos parabéns nos aniversários. Teve banho de mangueira à distância e também teve música. Por mais difíceis que estejam sendo os dias, acredito que, no futuro, lembrarei com carinho desses momentos”, diz. Sem dúvida, a união dos amigos e das histórias compartilhadas faz cada vez mais parte desse lar. 

Texto por Natália Pinheiro | Fotos por Maura Mello