A chance de projetar sua casa por completo e colocar em prática ideias sonhadas durante muito tempo fez com que Marcos e Júlia criassem uma relação de profunda conexão com seu lar. Ali, mesmo as soluções estéticas possuem alguma memória por trás, como o painel de ladrilhos hidráulicos no jardim dos fundos, idealizado pelo casal a partir de lembranças felizes de uma viagem ao México: “Ficamos apaixonados pelo país, por sua cultura e cores. Lá vimos essa combinação de muralismo com paisagismo. Lembro de ter reparado nesse tom, um rosado muito presente nas obras do Luis Barragán, e trouxemos essa influência para o projeto”, Júlia conta.

Por ser um dos sócios do escritório Iná Arquitetura, Marcos tem repertório de sobra, então cada ambiente conta com detalhes únicos pensados especialmente por ele.  Júlia, por sua vez, trouxe inspirações vindas da casa de seus pais e do mundo da arte, no qual trabalha. O afeto e as memórias estão presentes em tudo: “Aqui não é um imóvel, é um lar”, os dois falam.

Marcos e Júlia gostam muito de cozinhar e de receber os amigos, então a cozinha se tornou uma parte importantíssima da casa. Inicialmente eles queriam deixar a mesa de jantar em uma área separada, mas como não havia metragem disponível, ela agora serve como uma espécie de ilha – sendo usada inclusive durante o preparo das receitas, e não apenas na hora da refeição. “Comer com essa luz natural, e olhando para o jardim e o painel é muito gostoso”.

O andar onde fica o quarto do casal não existia na construção original, então todo esse cômodo foi erguido do zero. De acordo com a nova planta, Marcos conseguiu posicionar o espaço perfeitamente para que a janela emoldurasse as árvores do lado de fora, criando um quadro vivo. O banheiro, bem clean e espaçoso, tem uma luz zenital bonita que compensa a ausência de janelas e a bancada da pia fica do lado de fora, na área do quarto.

A casa toda é convidativa, mas talvez o espaço mais surpreendente seja o terraço na cobertura. Até para os moradores a paisagem lá de cima era um mistério durante a obra: “Não sabíamos como seria a vista até essa laje subir. Quando subimos ali pela primeira vez fiquei tão feliz que não consigo descrever em palavras. Todas as vezes em que estou lá observando os pássaros, as palmeiras ou tomando chuveirão eu penso nisso: que presente! Como eu tinha morado no RJ durante muitos anos, sentia falta de ver o horizonte e o verde, e isso é algo que agora consigo fazer todos os dias”, Júlia diz. Além da vista, o casal aproveita o terraço de todas as formas possíveis, para ler, tomar café, observar o céu e a lua, fazer exercício e churrasco de vez em quando.

Contemplação. Taí uma palavra que combina bem com essa história. Contemplar as plantas no jardim, a vista para a cidade, o dia a dia calmo do bairro, as obras de arte, os gatos brincando livres… não à toa, a casa estimula um dos hábitos mais queridos do casal, a meditação. “Além da meditação diária, gostamos muito de velas e incensos. Temos grandes ramos de eucalipto seco nos cômodos e até em cima das duchas, porque adoramos o aroma. Somos budistas e deixamos o altar sempre arrumadinho. Os gatos quebram e derrubam bastante coisa, mas por mais que fiquemos bravos às vezes, sentimos que eles fazem uma limpeza energética constante na casa”, Júlia explica. E, de fato, o que esse lar mais tem é energia boa!

Fotos por Maura Mello