Bordado à mão: os encantos do trabalho artesanal

Quer começar a bordar? Então leia essa matéria para saber mais sobre a técnica

Não é de hoje que o desejo de reconexão com os fazeres manuais começou a ganhar espaço no dia a dia das pessoas. Se por um lado a correria e o estresse são lugares-comuns, por outro, muitos de nós procuram desviar dessa lógica, valorizando, por exemplo, as práticas artesanais como forma de relaxar a mente. Com a quarentena, muita gente se viu obrigada a fazer uma parada forçada, abrindo também espaço para novas atividades dentro de casa. Pensando nisso, decidimos explorar esse universo de possibilidades falando sobre diferentes técnicas manuais aqui no blog. Que tal se inspirar e começar algo novo também? 

Se você acompanha as casas que publicamos por aqui, com certeza já reparou nos bordados lindos que frequentemente aparecem pelas paredes dos quartos e salas de estar. Com uma delicadeza única – fruto de um trabalho manual e cuidadoso – essas peças são um sucesso na decoração, mas o que muitos não sabem é que o processo de confecção é igualmente especial e inspirador. Para a artista têxtil Flávia Lhacer, professora de bordado há cerca de 7 anos, esse ofício se relaciona com o ritmo em que leva a vida, além de possibilitar um olhar atento para dentro de si. Se você também é apaixonado por bordados ou está pensando em aprender a técnica, não deixe de conferir o papo que tivemos com ela e com sua aluna Ligia Cellani.

Olhar de especialista

Conte um pouco sobre você e como entrou nesse mundo do bordado:

Flávia: Aprendi a bordar com minha tia Sônia e minha avó Cláudia. As mulheres da minha família sempre teceram juntas e cresci assim. Retomei a prática na Faculdade de Artes Plásticas e, mais pra frente, com amigas, nos reunindo para trocar conhecimentos sobre os fios. Essa foi a técnica que escolhi para mostrar como vejo o mundo e me expressar. Também sou professora de bordado livre desde 2013, quando comecei a dar aulas na Novelaria, uma loja e escola muito charmosa em Pinheiros. Na sequência, fui para o Sesc Pompéia, onde ainda dou aulas, e hoje também monto turmas aqui em casa, para bordarmos nossas histórias. Atualmente com a pandemia, estou trabalhando pelo Zoom e tem sido maravilhoso.

Na sua opinião, o que torna o bordado tão especial? O que te encanta nessa atividade?

Flávia: Acredito que ele é uma representação do tempo. Entre as artes manuais, acho que o bordado é a técnica mais lenta e eu adoro isso. Ele sempre me faz frear e olhar com cuidado. Ele pede isso. Nesse momento, onde a comunicação é muito rápida, vários apps abertos, onde fazemos 10 coisas ao mesmo tempo, o bordado anda na contramão. Quando bordamos, olhamos pra dentro da gente: o bastidor vira um espelhinho e vemos como lidamos com os erros que ali se apresentam, como combinamos as cores e texturas, qual é o objetivo dele ou se é a caminhada que mais importa. Ainda sobre o tempo, adoro que nos pontos do bordado está o registro do momento que estamos vivendo. Olho para algum trabalho meu e sei o que estava se passando ali. Isso é muito especial.

Qual o seu conselho para quem quer começar a atividade durante o isolamento? É possível encontrar os materiais com facilidade online?

Flávia: Se for possível, sugiro fazer aula com alguma professora online. Acho que a guiança nesse momento é muito acolhedora e receber a troca com outros alunos também. A magia dos encontros quando tecemos (mesmo que online) faz o processo ser muito especial. Também adoro bordar sola, digo que é minha meditação rítmica. E se for o caso de ir sozinho no aprendizado, tem bons tutoriais no YouTube para ensinar. E muitos armarinhos estão entregando por delivery ou correio. Não tem nenhum empecilho para conseguir material na quarentena.

O que é essencial para começar a bordar?

Flávia: Essencial para bordar é ter vontade. Alguns dizem: ‘Ahhh, não tenho paciência’. Acho que paciência vem junto com a vontade de bordar. Ela vai crescendo junto com o trabalho que estamos fazendo e cada vez nos tornando mais pacientes e dedicados. E claro, os materiais.

Dicas importantes:

Precisa saber desenhar bem?

Flávia: Não precisa. Claro que ajuda, mas não é necessário. Minha avó nunca desenhou e é uma grande bordadeira.

Como passar para o tecido a ideia inicial?

Flávia: Para passar o desenho para o tecido, costumo usar minha mesa de luz freestyle, que é a janela com sol. Colo o desenho com fita crepe, colo o tecido em cima e passo com uma caneta que adoro, que é a Pilot Frixon. Depois de bordar, ela sai com o ferro de passar ou secador.

Existe algum ponto mais fácil para os iniciantes?

Flávia: Pra mim, o mais simples é o ponto atrás. Ele é um ponto de contorno que dá pra explorar muitos desenhos.

Você tem alguma dica de lugares para comprar os materiais necessários? 

  • Bazar Horizonte: tem de tudo a um preço bom para qualquer manualidade.
  • Bordado Studio: Também gosto dessa lojinha, que é de uma ex-aluna minha. É cheia de fofuras e mimos gostosos te ter.

Olhar de iniciante

Para dar o empurrãozinho final para quem está pensando em começar a bordar, nada como a perspectiva de alguém que também é nova nesse universo, por isso conversamos com a Ligia Cellani, uma das alunas da Flávia, que optou pelas aulas online durante a quarentena!

O que fez você se interessar pelo bordado? Teve alguma relação com a quarentena?

Ligia: Há algum tempo tenho tido contato com trabalhos manuais e aprender a bordar fazia parte de planos futuros. No entanto, com a quarentena surgiu a oportunidade das aulas online com a Flávia Lhacer, a quem eu já admirava e acompanhava pelo Instagram. 

Conte como foi a sua experiência tendo aulas com a Flávia:

Ligia: A cada encontro eu aprendo diferentes pontos de bordado, faço aulas com exercícios criativos e a Flávia também me orienta quanto aos pontos mais adequados ao trabalho que quero realizar, acompanhando todo o processo. Aprendo sobre materiais, sobre como o bordado pode ser uma metáfora da vida com seus erros, acertos e estratégias, e aprendo com as outras pessoas que ali também estão, alunas e alunos, reunidos por uma prática tão antiga, conversando entre agulhas e linhas, transformando uma vivência de telas em proximidade humana.

Qual foi o maior desafio nesse aprendizado?

Ligia: Durante as aulas eu percebi que bordar é mais fácil do que eu pensava, ainda que alguns pontos me exigissem recomeços, eles vinham acompanhados daquela sensação tão poderosa de ter conseguido. Além disso, foram ensinados com muito bom humor e leveza, Flávia repete pacientemente até o ponto se concretizar. 

Algo te surpreendeu (em facilidade ou dificuldade)?

Ligia: Saber o quão significativo é o trabalho manual, o quanto minha concentração, persistência, paciência e a realização de algo feito por minhas mãos importa e transforma, me era, de certo modo, familiar, porém o bordado neste momento de isolamento social teve o papel de ancorar a cada ponto um pensamento solto, um sentimento torto, uma emoção desajeitada.

O que você diria para quem precisa daquele empurrãozinho para começar?

Ligia: Já disse a mim mesma que deveria ter começado a bordar antes! Porém, se para tudo existe um tempo, o de aprender a bordar chegou no momento apropriado e não podia ter sido com uma professora mais querida. Há meses rodeada pelas paredes da minha casa, por meus objetos ao longo do tempo reunidos, vejo agora todos os dias entre eles um ainda mais especial, pois desde o início fui eu quem o fiz, das agulhas necessárias, das cores escolhidas, do tecido riscado, de minhas mãos nasceu. É um bordado que conta um pouquinho de mim, sua história é também a minha.

Texto por Yasmin Toledo | Fotos por Isadora Fabian e acervo pessoal Flávia Lhacer

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COMENTÁRIOS # 27

  1. Achei maravilhoso, eu sempre quis aprender bordar, tenho trabalhos lindos da minha mãe, eu fiquei no tricô.

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  2. Parabéns pela matéria! Bordo há muuuiiitos anos, antes dessa nova onda, descoberta e que ajuda tantas pessoas. Fico muito feliz com essa nova iniciativa das pessoas, o que as têm contribuído a sair de várias situações (financeiras e psicológicas). Sou professora de patchwork e bordado (particular e na TV). E para meu orgulho, venci 2 Prêmios “Artesão do Ano”, na categoria “Fios, bordado e costura” e “Principal”, ambas escolhidas pelo público. Gratidão por divulgarem essa arte barata e sublime❣

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    • Oi Rosana, tudo bom?
      Uau, que sucesso! Parabéns. 🙂
      É bacana ver que as novas gerações estão ganhando interesse pela técnica, né? É uma forma de eternizá-la.
      Beijos

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  3. Eu comecei com o bordado porque tive síndrome do pânico.
    Hj eh meu passatempo e me relaxa, além de conseguir vender os meus trabalhos.

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    • Oi Solange, tudo bom?
      Estamos lendo muitos relatos de pessoas que começaram a bordar por conta de questões pessoais ou de ansiedade. É impressionante como essa arte relaxa e consegue ser uma terapia, né?

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  4. Aprendi a bordar adolescente, mas com outras atividades deixei ou faço esporadicamente. Mas, adoro bordar e admiro quem o faz.

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  5. Que legal 😉 Uma delícia o site e esta matéria em especial!

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  6. Vc tem alguma dica de aulas de bordado na cidade de São Paulo?

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  7. Achei lindo, maravilhoso essa sua maneira de ser. Muito habilidosa. Parabéns!!!

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  8. Amo acho lindo
    Também gosto de bordar

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  9. Eu sei bordar ponto cruz, vagonite, ponto oitinho, trançado em fita…

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  10. Maravilhosos e incentivadores depoimentos.

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  11. Bom dia, eu faço bordados, me distrai demais, é maravilhoso. Principalmente quando está triste com alguma coisa, é uma terapia maravilhosa. Quem me ensinou foi a avó do meu ex que hoje já faleceu.

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    • Ainda não pinto e nem bordo, mas gostaria muito de aprender. Minha mãe sabe bordar, mas nunca me interessei. Eu acho que chegou a hora né.

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  12. Adoro bordados. Já bordo há 15 anos, herança da minha vó.

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  13. Muito boa a reportagem, bordo ponto de cruz e aprendi sozinha em um momento muito delicado, após uma crise de pânico, amooo bordar, faço outras técnicas de artesanato, mas o ponto de cruz é minha paixão ❤

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    • Oi Jacyra, tudo bom?
      É impressionante como o bordado pode ser terapêutico, né? Que legal que gostou da matéria. 🙂

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  14. Amei a reportagem, estou pensando em aprender a bordar e o texto é uma inspiração a mais. Gratidão

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    • Oi Viviane, tudo bom?
      Que legal que está interessada em bordar. Achamos lindo! E com certeza é um processo super inspirador.

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  15. Lindo depoimento que compartilho… aprendi a bordar um pouco antes da pandemia e tem me ajudado muito a encará-la.

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    • Muito bom! O bordado é uma forma de nos conectarmos com nós mesmos e diminuir a ansiedade, né?

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  16. Achei ótimo, gosto de bordar é uma terapia, mas gosto também de crochê e tricô, pintar e costurar distrai muito, e faz bem à mente ao coração e aí humor, amo criatividade!!!!!

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  17. Fui orientada por um médico a buscar uma terapia ocupacional qdo começaram a aparecer manchas de vitiligo na minha pele. Optei pelo ponto cruz e aprendi outros bordados tbm. Amei. A criatividade vai nascendo dentro da gente. A doença não é mais o foco.

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    • Oi Luzinete, tudo bom?
      Que interessante seu depoimento. Os trabalhos manuais têm um poder muito grande de nos ajudar até nos momentos mais difíceis. Ficamos felizes que o bordado esteja sendo uma boa terapia pra você. Beijos

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