Para Raphael Patapovas, sua casa e sua personalidade estão muito relacionadas: ambas são miscelâneas de referências que dialogam e mudam com o tempo, misturando arte, ciência, política e outras esferas. Como designer gráfico, é natural que ele esteja sempre buscando inspirações, e seu apê acaba refletindo isso de forma espontânea: “Acredito que essa expressão esteja muito relacionada ao que há de mais profundo na essência das pessoas. Não acho que conseguimos moldar a nossa linguagem… hora ou outra acabamos expondo o que somos de verdade”, ele diz.

Já que se define como alguém nada minimalista, o morador não tem medo de combinar móveis, cores e objetos em seu lar, o que resulta em espaços cheios de vida e criatividade. Pelas paredes estão obras de arte compradas de seus colegas, presentes do namorado, sobras de projetos e coisas que o chamam a atenção pelo caminho, desde recortes de revista até bandeiras e flores: “A decoração é um pouco assim aqui em casa, entre forma e função, devaneios e badulaques vão ocupando o seu espaço… sem nenhuma certeza que amanhã estarão no mesmo lugar. Sempre narrativas diferentes, formando novas histórias”.

Na cozinha, uma reforma comandada pelo arquiteto Renato Périgo alterou os revestimentos e separou o corredor com elementos vazados: “A escolha de um cobogó que remete às raízes desse elemento, assim como o piso de ladrilho hidráulico desenhado pelo Paulo Mendes da Rocha, foram revelando intenções cheias de referências do passado que enriqueceram ainda mais o projeto”, diz Raphael. Além disso, a paleta de cores que mistura um azul pastel com tons de madeira e os verdes das plantas deixa o clima suave e acolhedor.

No dia a dia, o cômodo não poderia ser mais funcional, servindo para preparar receitas e também como lavanderia. Como o morador adora cozinhar e receber amigos, a mesa pequena — geralmente usada para cafés da manhã e jantares rápidos — é levada para a sala nos dias de casa cheia. E Raphael sempre ressalta que ali não há um lugar fixo para nada. Com o movimento do lar concentrado na parte social, o quarto segue uma linha um pouco mais básica, na medida do possível para um morador que adora se cercar com o que o inspira: “Pensei em deixar esse espaço mais simples, sem muita informação, uma área de descanso mesmo”, Raphael diz.

Em ordem de importância, Raphael elenca o que não pode faltar em seu apê: gente, vinho, planta e café. Quando não está com o namorado ou recebendo os amigos, o designer gosta de ouvir músicas, ler e explorar — mesmo que de forma clichê — tudo o que uma casa tão aconchegante possibilita. Para ele, é impossível ter o ambiente doméstico totalmente sob controle, afinal, é ali que os traços mais pessoais de cada um se encontram livres: “Na minha opinião, os lares têm vida própria. Não adianta a gente querer dizer que ele será assim ou assado, pois, quando a gente menos espera, acontece uma reviravolta. Assim, a casa deixa de ser como a gente tinha idealizado e começa a revelar os traços de nossas personalidades. Mais ou menos como os pets que são a cara do dono, sabe? Acho que é por aí”, ele brinca. 

Texto por Yasmin Toledo | Fotos por Maura Mello