O lar da chef de cozinha Mari guarda muitos tesouros de sua história: além de estar no bairro onde ela cresceu e ser um espaço pensado desde o início para a acolher bem junto a seu filho Theo, a casa é seu refúgio há cerca de 10 anos e já testemunhou diferentes etapas de sua vida. Primeiro Mari morou no endereço com o filho e dois amigos, em uma fase divertida e com ares de república, depois o sobrado se tornou o lar oficial de sua família, que dobrou de tamanho desde então.

Quando a chef reencontrou o economista Alexandre — que já conhecia desde os 13 anos por conta da escola — sua vida e casa ganharam novos rumos. Hoje os dois são casados, sócios no restaurante Quincho e pais da Serena, que ainda não completou um ano de vida. “Eu me mudei para a casa em março de 2010 e o Ale começou a morar comigo em agosto de 2011”, conta Mari, acrescentando que foi uma viagem a dois para a Colômbia que despertou a vontade definitiva de viverem juntos.

A casa fica no bairro Campo Belo, em uma região onde não se pode construir prédios por conta da proximidade do aeroporto de Congonhas. Como consequência, o clima é de interior, com moradores que se conhecem e o carro da pamonha ou o caminhão de gás passando na rua. “Faço questão de vivenciar esse senso de comunidade, porque em geral as relações têm se tornado individualizadas demais. Buscamos comprar dos comércios locais e apoiar toda ação que seja positiva pra cá”, a chef diz.

Do lado de dentro da casa, a rotina é mais agitada: tem a bebê ainda pequena, o Theo pré-adolescente, dois cachorros e um casal que adora movimentar o lar, seja cozinhando, podando o jardim ou inventando alguma decoração nova. Após se casarem, Mari e Ale passaram por algumas obras para adaptar cada espaço a essa rotina cheia, então hoje a cozinha é o centro do lar, com direito a integração com o quintal dos fundos e detalhes bem coloridos.

Aliás, passeando por todos os espaços, não há como não notar a forte presença das cores, que estão nas paredes, armários, portas e enfeites. “A gente ama cor. Fazem toda a diferença e representam estados de espírito. Somos criativos, a gente não curte nada muito padronizado. Fora que mudar a cor é a forma mais prática de mudar toda a decoração”, conta o casal, que está sempre aberto para novas possibilidades nas combinações de tinta.

No andar de cima, duas crianças com idades bem diferentes dividem o mesmo quarto, que concilia as necessidades de ambos. “Não soubemos o sexo da Serena até o momento do nascimento dela. Era uma surpresa. Então o quarto foi montado para atender qualquer que fosse o gênero”, diz a moradora. Com a última reforma, o Theo ganhou um beliche e uma bancada que serve de ateliê para suas artes e desenhos. Além disso, um papel de parede com estampa tropical deu o toque final para colorir o cômodo sem deixá-lo muito marcado para nenhuma faixa etária específica.


Entre todas as experiências que a casa já vivenciou, é impossível não destacar o nascimento de Serena. “Foi um parto domiciliar, incrível, natural e maravilhoso. Ela nasceu literalmente no chão do nosso quarto: eu de cócoras, amparada pelo Ale, duas parteiras, uma doula e minha mãe. Foi transformador, em todos os sentidos. Ela preencheu nossa vida e nossa casa”, conta Mari. Com a chegada da pequena, toda a rotina mudou: a casa passou a ter cheiro de bebê e até mesmo o Theo é capaz de parar qualquer coisa que esteja fazendo para ajudar nos cuidados com a irmã.

Mari define sua casa como simples e autêntica, montada para a vida que quer ter com sua família. Mesmo sem tantos acessórios, o espaço possui muitos livros de receita, um fogão que está sempre em uso e um sofá bem grande para acolher a todos de uma só vez. Desse jeito, é inevitável que a chef sinta um baita orgulho de tudo o que construiu até agora, mas sem esquecer do que mais importa na casa: quem está dentro dela. “Meu lar vai ser sempre nos braços do meu marido, com meus filhos e cachorros. Seja lá onde estivermos”, ela diz.

Texto por Yasmin Toledo | Fotos por Leila Viegas