Depois de alguns anos vivendo em um apê bem pequeno onde era difícil receber os amigos, Giuliana e Giovani celebram o fato de hoje terem mais espaço para reunir pessoas queridas. Essa era a principal necessidade do casal e também foi o que estimulou a mudança de endereço. “Sempre que dá, temos amigos por perto. E o pessoal se espalha por tudo. A cozinha fica cheia de gente; na sala todos se juntam no sofá ou sobre o tapete; e a varanda vira um canto especial”, a moradora diz. Sem formalidades, eles deixam os convidados à vontade: “Todo mundo abre a geladeira, os armários… gostamos que as pessoas façam parte da casa”.

Essa forma de aproveitar os ambientes do apartamento sem barreiras só foi possível depois da reforma realizada por Giuliana, que é arquiteta coordenadora no escritório Gema Arquitetura. Construído em 1968, o imóvel ainda mantinha sua disposição original, com áreas ociosas de circulação, como um hall de entrada. Tanto esse hall quanto a cozinha se tornaram parte integrante da sala após a demolição das paredes que os separavam. “Nossa vontade era chegar em casa e ter uma visão completa do apê, ter a sensação de amplitude e espaço. Além disso, a gente queria poder cozinhar e conversar com quem estivesse na sala, tudo junto ao mesmo tempo”, Giuliana explica.

Na escolha dos acabamentos, o casal levou em consideração algumas características originais do prédio, como o piso de granilite do hall de elevadores. Querendo trazer um pouco disso para dentro da casa, a arquiteta utilizou esse mesmo material em toda a área molhada do apê, englobando cozinha, banheiros e área de serviço. Também pensando na integração visual entre os cômodos, Giuliana desenhou uma marcenaria em tons neutros para facilitar a composição com o restante dos móveis que ainda não estava definido na época da obra. A princípio as paredes eram brancas, mas com o tempo ela foi sentindo falta de cor, então resolveu pintar o fundo da cozinha com nuances quentes que tornaram o espaço mais acolhedor.

O toque final veio com a mesa de jantar, desenhada pela própria moradora e executada pela marcenaria Oh! Eu que Fiz. Giuliana lembra que foi difícil encontrar uma peça redonda bonita e que coubesse em seu orçamento, então ela acabou se inspirando para inventar sua própria versão, com tampo em formato ovalado e base também de madeira. “Além dela, tenho peças que fazem parte da linha de objetos do escritório (Gema Arquitetura). Nós desenvolvemos diversos itens que gostei muito do resultado, como o cabideiro Bento logo na entrada e a mesa Nina, na sala”, ela conta.

Outra mudança importante da reforma foi a redistribuição da área molhada do apê. Antes havia um único banheiro, desnecessariamente grande, e também cômodos de serviço, que não faziam sentido para o casal, então Giuliana deslocou algumas paredes aqui e ali para otimizar os espaços. Com isso ela conseguiu transformar o quarto em suíte, criar um novo banheiro, um lavabo e ainda uma despensa. No meio do quebra-quebra, uma boa surpresa surgiu no corredor que leva aos dormitórios: quase por acaso, os moradores descobriram uma parede de tijolos maciços e decidiram deixá-la exposta, valorizando a área de passagem.

Sem tantas intervenções durante a obra, o quarto foi feito aos poucos. Giuliana lembra que eles queriam um quarto colorido e tranquilo ao mesmo tempo, então a escolha dos tons foi importante.Primeiro pintamos de verde e assim ele ficou uns meses, mas sempre deitávamos na cama e pensávamos que faltava alguma coisa. Ficamos semanas até definir a cor que iríamos pintar o restante, e escolhemos o lilás. A sensação é de calma, deixou o quarto mais harmônico”, ela fala. Tanto o banco usado de mesa lateral, quanto a prateleira logo em frente à cama, são móveis que o casal já possuía há anos e foram adaptados ao cômodo.

Para os moradores, a casa é o espaço onde eles querem ficar a maior parte do tempo. Como durante a semana a rotina corrida não os permite desfrutar tanto do apê, nos momentos de descanso o casal faz questão de curtir ao máximo seu pequeno universo. Cozinhar juntos, ouvir música, cuidar das plantas, tomar sol… Giuliana acredita que esses rituais do dia a dia são importantes para relaxar a mente e se conectar com o lugar de morar. “O apartamento tem uma energia boa, pelo menos eu sinto isso. Transmite amor e paz. Sempre senti, mesmo antes de nos mudarmos para cá. Estar em casa me faz sentir tranquila, acolhida e à vontade”. 

Fotos por Leila Viegas