Não há ninguém melhor para definir o apartamento do fotógrafo e artista plástico Felipe do que o próprio, mas a verdade é que sua casa é tão especial que às vezes é difícil traduzi-la em palavras. “É um lar livre, sem estilos determinados, lúdico e divertido. Tipicamente a casa de um geminiano: cheia de memórias”, ele brinca. Mais do que um simples apê, esse é um território de exploração constante, de onde o fotógrafo pode observar a cidade através de suas lentes; brincar com a decoração sem medo e também propor intervenções criativas – tanto do lado de dentro quanto do lado de fora.

Felipe diz que sua maior fonte de inspiração é a natureza – os pássaros, as florestas e as viagens que o levam para a mata – por isso buscou trazer um pouco dessa sensação para o apê. Seu interesse pelo cultivo de espécies dentro de casa já existia, mas o que deu o verdadeiro empurrãozinho para que o morador montasse um jardim interno foi um grande imprevisto do destino. “Eu sempre tive problema de infiltração no telhado por morar no último andar. Até que em um belo dia de chuva, houve um vazamento grave e o teto caiu. Perdi vários móveis e objetos, mas entendi aquilo como um passo para coisas melhores. E assim se deu. Consertou-se o telhado e eu acabei fazendo uma estufa, uma mini florestinha, com espécies listadas pela NASA como super plantas, que captam o dobro de monóxido e devolvem o dobro de oxigênio. Acabou virando um lugar para respirar e sentir o tempo real”, ele conta.

Uma das poucas alterações realizadas na arquitetura original do apartamento foi a remoção de uma pequena parede que deixava a cozinha muito apertada. Sem ela atravancando o espaço, o morador pôde distribuir melhor os móveis e criar um canto confortável para cozinhar e receber os amigos – coisa que faz com frequência. Também nesse ambiente, Felipe quis colocar em prática ideias pouco usuais, como manter as marcas dos azulejos removidos na parede; revestir a parte inferior das vigas com espelhos; fixar quadros em alturas improváveis e por aí vai. “Eu descobri que tinha vários pratos espalhados pela casa. Juntei todos depois de um incidente e os coloquei na cozinha, como na casa de uma avó. Agora os azulejos rosas originais se misturam com as porcelanas dos pratos e com as plantas”.

Para montar seu quarto, o fotógrafo pensou novamente na sensação de paz que queria ter ao abrir a porta, então o ambiente foi decorado com muito branco, como em um sonho. Essa busca por calmaria remonta também à sua infância e às memórias que ele tem da casa onde cresceu: “Lembro do silêncio na casa de minha mãe. E hoje tento a todo custo transformar meu lar num lugar tranquilo e pacífico, mesmo morando na frente do Minhocão”, explica. A luminosidade farta, a forte presença das plantas e a famosa coleção de objetos em formato de animais contribuem para esse clima leve no apê.

Livre de barreiras e predefinições, o apartamento é tão flexível e múltiplo quanto seu morador. Pode funcionar como casa, escritório, estúdio de fotos, cenário de filmes e, claro, ponto de encontro dos amigos. É um lugar sempre aberto a novas ideias, com criações que extrapolam as paredes e uma atmosfera divertida permeando tudo – afinal, não precisamos levar a vida tão a sério. Para Felipe, esse universo reflete sua energia vital colocada em cada objeto e memória ali presentes, compondo um emaranhando de histórias.

Fotos por Rafaela Paoli