No apartamento de 80m² onde Derek e Isabelle vivem em Santa Cecília, tudo reflete a forma como o casal de amigos se relaciona com o mundo e procura levar o dia a dia. Ali, nada é feito no modo automático, e esse cuidado quase artesanal pode ser percebido em cada cômodo da casa, onde a harmonia entre as cores, móveis, plantas e objetos é resultado de escolhas tomadas sempre a quatro mãos.  

Quando eles chegaram ao imóvel, há pouco mais de oito meses, o lugar tinha um aspecto frio, que os amigos logo trataram de tornar aconchegante por meio, principalmente, das paredes pintadas e da ocupação natural do espaço com seus pertences e presenças. Como moram em um apartamento térreo, Derek e Isa não possuem uma varanda aberta como nos outros andares. A partir dessa diferença, os dois traçaram novas funções aos cômodos da casa, permitindo um aproveitamento mais interessante: “A varanda interna se tornou nossa salinha de refeições, e o que seria originalmente a copa passou a funcionar como uma espécie de escritório, onde podemos usar o computador e fazer trabalhos manuais”, contam.

Na varanda, os amigos escolheram a cor rosa para as paredes, que, por possuírem grandes janelas antigas, oferecem a iluminação perfeita para o bem-estar das plantas que ali povoam. “Queríamos que esse ambiente não parecesse um pedaço fora do apartamento, então tomamos a decisão de que ali colocaríamos a mesinha que eu já usava na outra casa, e de que seria sempre um lugar mais quente para podermos sentar e conversar”, Derek explica. 

Já na copa – que cumpre papel de home office – a mesa com cara de fazenda veio de um vizinho; as cadeiras Thonet pertenciam anteriormente a uma senhora; e as de madeira escura, dos anos 40, foram presentes de um amigo. As plantas suspensas foram uma solução para tê-las por perto sem deixar o espaço apertado e também um projeto de ‘faça você mesmo’ de Derek: a prateleira já pertencia ao morador e a luminária dos anos 70 fixada na parte inferior foi garimpada. Ao todo, já são mais de 10 espécies pendentes ali. 

O quarto de Derek foi se formando naturalmente. Como não havia armário embutido, ele adaptou uma arara de roupas para o espaço, por exemplo. Já a cabeceira da cama foi costurada com um pedaço de algodão cru que sobrou de um trabalho e a tapeçaria foi um garimpo pensado a princípio para a sala, mas que acabou servindo para dar mais cor para o ambiente. 

“Eu e a Isabelle temos referências e gostos bem parecidos, mas acima de tudo acreditamos em um dia a dia compartilhado, então tentamos ao máximo fugir de uma rotina mecânica e acho que isso compõe o nosso lar. As coisas mudam de lugar todos os dias aqui, e isso pode depender do nosso humor, da luz de cada dia, do que precisamos usar ou não…”. É uma casa viva!

Fotos por Rafaela Paoli, do Estúdio Pulpo