Foi no dia 25 de janeiro de 2018 — aniversário de São Paulo — que a arquiteta Ketlyn e o empresário Edson se mudaram de vez para o apartamento dos sonhos que os aguardava no Copan, prédio que representa o maior símbolo urbanístico da capital. Racionalmente, o apê de 43m² já se encaixava no que eles queriam em relação à região e tamanho, mas o lado emocional de viver no edifício tão emblemático de Niemeyer deixou tudo ainda mais especial.

“A Ketlyn trouxe essa paixão pela arquitetura e eu sempre fui muito curioso pelo centro de São Paulo. Dizíamos que precisávamos sentir a cidade e buscar um prédio com história, e não imaginávamos outro local mais paulistano que o Copan para dar início à nova fase de morarmos juntos”, conta Edson. Mesmo com a espera de um ano para que o antigo dono enfim desapegasse do imóvel, a escolha não podia ter valido mais a pena. Após a reforma projetada pela própria moradora, eles redescobriram o imenso potencial que estava escondido por uma planta desatualizada, cheia de paredes e armários que prejudicavam a integração e o aproveitamento do espaço.

“O primeiro desafio da obra foi a demolição de toda a capa de revestimentos e mobília que maquiava o apartamento. Buscamos valorizar o que naturalmente já fazia o lugar ser incrível, como o concreto, as curvas e a vista. Estamos em um prédio projetado por Oscar Niemeyer, então o trabalho já estava feito, só precisávamos descobrir formas de valorizá-lo”, revela o casal. Para isso, até o forro do teto foi retirado, e eles mantiveram apenas as paredes estruturais. Com concreto, tijolos vazados, madeira e tubulações expostas, o estilo industrial acabou prevalecendo, com o complemento das plantas para harmonizar e dar equilíbrio.

“A inspiração veio primeiro dos próprios elementos do prédio e se entrelaçou com pesquisas que ocorreram durante um longo tempo com a Ketty. Nós sempre gostamos muito de conversar, assistir, ler e viver arquitetura, espaços, plantas e interiores, então devagar fomos absorvendo todas as referências e formando o nosso board. Além disso, houve uma busca pessoal por tornar vivo o concreto, trazendo muito verde para dar contraste com o ambiente cinza, assim como acontece na cidade”, contam.

Aliás, a relação com a cidade é potencializada pela vista e pela rotina na região central. No apê, a parede de vidro faz com que Ketlyn e Edson se sintam realmente parte de tudo o que acontece ao redor. Eles acompanham São Paulo acordar, ensolarar, festejar, dormir, e até mesmo percebem novos grafites surgindo na vizinhança a cada dia. Todo esse interagir, que se dá também pelos passeios pelo bairro, faz com que a cidade e seus habitantes sejam sempre inspiração para novas ideias e olhares.

Pela localização estratégica, os amigos estão sempre presentes na casa, ocupando todo o espaço com ainda mais significado. Com a turma reunida, o casal gosta de preparar drinks e jantares, e, nessas horas, o nicho na bancada da cozinha funciona como cooler, com gelo e garrafas. Para registrar os momentos mais especiais, a moradora possui uma câmera instantânea, que permite que as fotos ainda recém tiradas encontrem seu cantinho na parede do apê, como um grande álbum de memórias.  Outros objetos importantes são os quadros de criação própria de Edson, que após muito tempo de gaveta, finalmente ocuparam seu lugar na bancada do casal.

Para eles, o apê é especial por tudo o que representa, mas principalmente por reunir suas vivências: “Nossa casa é um conjunto de elementos que simbolizam o nosso estilo de vida, desde a arquitetura, a paixão por plantas, até nosso gosto por cozinhar e receber os amigos. Está tudo reunido”.

Fotos por Maura Mello