Há 7 anos, o casal de fotógrafos Frankie e Marília compartilha a rotina em um apê de 43m² na região da Av. Paulista. No bairro, eles têm acesso a  tudo o que precisam – o escritório fica ao lado, a família mora por perto e os lugares que frequentam estão a poucos passos de distância. Essa facilidade foi o que pautou a decisão de reformar o espaço, por mais que algumas pessoas não entendessem a ideia: “Tivemos um episódio com um engenheiro que veio fazer um orçamento e achou que nós éramos loucos por investirmos em um apartamento desse tamanho, porque com o valor da reforma e do imóvel, poderíamos morar em um lugar maior em outro bairro. Já os arquitetos, que sempre entenderam nossa filosofia de vida, compraram nossa briga, e aqui estamos hoje”, conta Frankie.

Na verdade, o fotógrafo mora no endereço há 12 anos, mas sua vida e rotina mudaram quando o apê passou a ser um lar para dois. Com o dobro de informações e vivências, novas necessidades surgiram, e a reforma se tornou cada vez mais indispensável. O banheiro era grande demais; os móveis, pouco funcionais; não havia separação entre quarto e os outros ambientes; e a cozinha tinha problemas de planejamento. Com muitas demandas e metragem reduzida, os maiores desafios eram aproveitar melhor os espaços e distribuir a entrada de luz natural, que se dá basicamente pela janela do quarto.

Os responsáveis pelo projeto foram o pessoal do escritório Sabará Arquitetura junto com a arquiteta Mariana Wilderom. O morador conta que a forma como chegaram até eles foi um tanto quanto surreal: “Já estávamos há muito tempo procurando as pessoas certas para abraçarem a reforma, até que um dia, em uma sorveteria em Pinheiros, enquanto conversávamos sobre esse dilema, um rapaz sentado ao nosso lado escutou a conversa e se ‘intrometeu’, falando que talvez tivesse a solução. Ele nos deu a indicação do escritório e vimos que era exatamente o que queríamos. Quando os conhecemos ao vivo parece que tudo se alinhou”. A marcenaria também foi projetada por Mariana, que teve o cuidado de usar as malas de equipamentos fotográficos como medida base para a estante principal, adaptando-a ao máximo para as necessidades do casal.

A preocupação com a iluminação do apê pautou muitas escolhas, entre elas a porta de vidro que separa o quarto e também a cor rosa na parede entre sala e banheiro. Na decoração, inspirações e lembranças de viagens se espalham pelas paredes, prateleiras e bancadas, como uma fotografia de Olivia Bee que Frankie deu de presente para Marília tempos atrás ou o pôster de um show do Bon Iver que os faz lembrar de uma viagem a Barcelona. Se, por um lado, a limitação de espaço não permite grandes acervos decorativos, por outro, a relação com o consumo foi ressignificada de forma mais consciente: “Temos só o que precisamos ou realmente queremos muito. É impressionante o quanto morar em um apartamento pequeno faz a gente ficar mais seletivo sobre o que entra em casa”, eles contam.

Para aqueles que também vivem em imóveis não tão grandes, Frankie e Marília deixam uma dica preciosa, que vai além do uso material do lugar e diz muito sobre o companheirismo que compartilham: “Viva com uma pessoa que te entenda e saiba respeitar seu espaço quando você precisa, mesmo em uma casa pequena”. Para eles, o que faz do apartamento um verdadeiro lar são suas próprias presenças e o cuidado de estarem livres de excessos. “Somos sortudos por sermos pessoas que têm o suficiente”.

Fotos por Gisele Rampazzo