Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio.

Guta é, definitivamente, uma mente criativa. No campo do trabalho, a direção de arte divide espaço com seu ateliê de pintura em cerâmicas e porcelanas. Ainda assim, a inspiração transborda e, inevitavelmente, inunda sua casa, onde vive com os dois filhos, Pedro e Cora, e com a gata Bombom. Na verdade, é difícil saber em que ponto começam e terminam suas ideias. Se o apartamento é fonte ou extensão de suas criações. De qualquer forma, uma coisa é certa: toda essa sensibilidade se traduz em um lar incrível, aconchegante e pra lá de original!

Quando ela encontrou esse apartamento, há quatro anos, vários quesitos foram determinantes para a escolha de viver ali. Dentre eles, o prédio: um edifício de 1973, com arquitetura que lembra um pouco a Esplanada, em Brasília, e que possui uma área espaçosa onde as crianças podem brincar à vontade. No apê, a grande janela do chão ao teto da sala, o piso de tábua corrida e os detalhes originais da época da construção deram o arremate final.

“Como gosto de morar em lugares com história e tempo, não sou de alterar materiais originais. Então, o que fiz quando mudei foi uma pintura geral, incluindo portas, armários, janelas e tudo. Recuperei o taco dos quartos e as tábuas da sala, e lixei os pisos de granilite, que ficaram como novos. Refiz os rejuntes dos azulejos do banheiro, mas como os da cozinha estavam muito velhos, decidi pintar de branco para evitar uma reforma naquele momento”, Guta diz. Foi apenas dois anos depois da mudança que ela, por fim, decidiu interferir na planta do apê, integrando a cozinha à sala. Para finalizar, a parede da televisão ganhou cor, trazendo mais alegria para o cômodo.

Por conta de seu trabalho, a moradora está sempre cercada de boas referências, garimpos e objetos interessantes. Tudo isso acaba influenciando a relação de Guta com os itens de sua própria casa, provocando misturas inusitadas e novas disposições, que, mesmo quando parecem pouco prováveis, no fim fazem sentido. Como a diretora de arte também possui um acervo de aluguel de objetos, muitas coisas transitam entre os filmes em que trabalha e seu lar: o sofá Chesterfield, por exemplo, foi imortalizado em seu segundo longa metragem, e o abajur azul com cúpula de flores foi feito sob encomenda para seu primeiro trabalho no cinema. Dessa forma, lembranças de ficções e histórias reais se juntam e integram a decoração.

Nas criações do ateliê, a moradora trabalha de forma sutil e despretensiosa, formando desenhos e colagens em peças únicas de porcelana. Os resultados são artesanais e sempre diferentes entre si. “Eu crio porcelanas como poesias, para inspirar, contemplar e levar a algum lugar que acesse a alma das pessoas”, fala. Algumas dessas obras estão dispostas em suas paredes, mesclando-se aos trabalhos de outros artistas e pessoas queridas, como as fotografias feitas por seu talentoso irmão ou a peça em formato de serpente idealizada pelas amigas Regina Dabdab e Paula Juchem, que a moradora tanto admira.


No apê e no trabalho de Guta, as referências vêm de todos os lados: estão nas ruas de qualquer lugar, em lojas, plantas e no rastro do tempo. “Toda viagem é inspiradora e costuma trazer com ela algo que agrega à vida e ao ambiente. Brechós e antiquários são tão ricos em belezas e tesouros que muitas vezes, apenas passear por uma feira de objetos raros, sem mesmo comprar nada, nos motiva a mudar o ambiente da casa. O Ceagesp, com suas inúmeras possibilidades de plantas e flores, é uma maravilha para os olhos e para a alma, gosto muito de lá. Mercados de bairros, mercadões e lojas paradas no tempo costumam oferecer algo único e cheio de memórias. Vou juntando coisas que vejo nos mais diversos locais por onde passo, nessa cidade sem limite que é São Paulo e outras pelo Brasil e pelo mundo. Assim os objetos vão ganhando significado e vida”, Guta revela. * Curiosos para ver mais? No próximo capítulo vocês conferem o restante do apartamento! 

Fotos por Nathalie Artaxo

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