De volta ao passado | Capítulo 2

O apê dos anos 50 ganhou uma reforma consciente que preservou sua história

O que faz um apartamento ter aquele jeito gostoso de casa? Na verdade, não existe fórmula perfeita, mas no lar da Carolina e do Eduardo uma feliz conjunção de fatores contribui muito para que os espaços tenham esse clima. Os cômodos amplos, com janelas generosas e muitas plantas, ainda guardam elementos da arquitetura original do prédio, erguido nos anos 50. Além disso, a reforma consciente comandada pela arquiteta Teresa Mascaro ajudou a atualizar os ambientes, porém valorizando a história do imóvel. “Com as mudanças que fizemos, conseguimos preservar o que o apartamento tinha de original e que nos cativou desde o começo, mas ao mesmo tempo demos um ar mais contemporâneo e otimizamos o espaço para usá-lo de acordo com nossos gostos e nossa realidade. Gostamos de estar em casa, de cozinhar e de receber, então os ambientes ficaram menos compartimentados e mais acolhedores”, Carol explica.

A necessidade de uma maior integração levou o casal a aceitar as alterações propostas por Teresa. Por um momento, eles até tiveram receio que essas mudanças todas pudessem deixar o apartamento irreconhecível, porém tudo foi pensado com bastante cuidado para manter suas características principais. A cozinha, por exemplo, passou por várias intervenções durante a reforma até chegar ao resultado ideal para os moradores, mas não perdeu seu charme vintage.

Antigamente o espaço era dividido em dois cômodos distintos: uma copa e a cozinha propriamente dita, com uma coluna de tijolos de vidro entre elas. Para o casal, não fazia sentido deixar as funções separadas – até porque eles consideram a cozinha o centro da casa – então essa parede de tijolos de vidro foi removida quase por completo. O piso de granilite branco é original do apê e foi restaurado, ganhando faixas em versão rosa para cobrir os rastros do que foi quebrado ou deslocado durante a obra. Os azulejos clarinhos também são originais, porém alguns deles caíram no quebra-quebra, então Teresa sugeriu substituir os vãos por modelos coloridos garimpados em um cemitério de azulejos. Por isso a composição aleatória nas paredes.

“Aqui houve mais uma coincidência entre as alterações da reforma e o projeto antigo. Após a substituição dos azulejos, encontramos no depósito na garagem alguns modelos coloridos idênticos aos que compramos. Mais um sinal de que estávamos intervindo e modificando o apê em harmonia com seu espírito original”, o casal diz. Para evitar que a decoração ficasse muito datada ou romântica, foram feitas prateleiras de concreto, armários na cor cinza e portas de serralheria que levam à varanda com ares de quintal. Sem a menor dúvida, a cozinha é especial para Carol e Eduardo. Ainda hoje, mais de 1 ano depois da mudança, eles usam a porta da cozinha como entrada principal do apartamento. “Talvez seja pelo costume, de ambas as famílias, de se reunir nesse espaço. E como o nosso é amplo, ele possibilita que isso aconteça aqui em casa com conforto”, eles contam.

Carol e Eduardo não tiveram pressa para montar a decoração do quarto. Eles deixaram o espaço livre e, pouco a pouco, o preencheram com peças que têm um valor afetivo, como o quadro atrás da cama, que é um tecido trazido de uma viagem à Moçambique; a poltrona restaurada que pertenceu à bisavó do morador; e um banco indígena comprado na Amazônia. “Ficamos felizes com o resultado que temos hoje, pois vimos que os itens que fomos incluindo tinham uma importância para nós, e gostamos de ver que essas referências todas poderiam dialogar em harmonia”, ela fala. Os armários originais do apê foram mantidos e a única mudança que sofreram foi a retirada de dois módulos superiores que acabavam pesando no visual.

Os banheiros de granilite colorido são um capítulo à parte. Segundo o casal, a descoberta deles é um ponto alto das visitas que frequentam o apartamento. As cores trazem algo de inusitado e sempre surpreendem as pessoas quando elas veem os cômodos pela primeira vez. A ideia de usar esse acabamento veio a partir do piso da cozinha, que acabou inspirando os demais tons. A escolha das cores também entra no conceito geral da reforma de utilizar elementos da época em que o prédio foi construído – e nos anos 50 banheiros coloridos eram bastante comuns.

A criação de um lugar tão especial reflete muito da vivência de Carol e Eduardo como casal. “Temos já uma longa história juntos e a construção do nosso lar, da compra do imóvel à decoração dos cômodos, foi um processo muito respeitoso de reflexão, escuta e cuidado. Não tínhamos tanta ideia de como seria o resultado final quando começamos a obra, mas, ao mesmo tempo, olhando em retrospecto, temos a sensação de que nossa casa sempre foi assim. Esse sentimento de pertencimento e identificação, construído de algo que antes só podíamos imaginar, faz com que a gente goste da nossa casa mais do que qualquer outro lugar no mundo”.

Fotos por Isadora Fabian, do Registro de Dia a Dia

ONDE ENCONTRAR

PEÇAS INSPIRADAS NESSA HISTÓRIA

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COMENTÁRIOS # 14

  1. Curto muito o blog, o site, as histórias. Adoro decoração, meu sonho era poder trabalhar sendo jornalista dessa área…rs. Mas tenho sentido falta de algumas histórias mais simples, sabe, daquelas casinhas pequenas, cheias de amor.
    Tenho uma amiga que faz a casinha dela desse jeito, alugada, com 2 filhos, uma menina e um menino, uma casinha cheia de histórias e amor mesmo.

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    • Oi, tudo bom?
      Somos um pouco suspeitas para falar, mas também amamos muito esse tema! rs…
      Estamos sempre procurando mesclar os estilos das casas que mostramos por aqui, mas às vezes entra uma sequência de casas maiores/projetadas por arquitetos.
      Obrigada pela sugestão! E fica de olho semana que vem: vamos publicar um apto alugado com várias soluções interessantes.
      Beijos

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  2. Amei! De onde sao os criados-mudos?

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  3. Teresa Mascaro. Colega de profissão de absurdo bom gosto. Sempre uma fonte de inspiração.

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  4. Lindo demais! Me fez lembrar da minha infância nos anos 70 em um apartamento dos anos 60 com banheiro azul, copa e cozinha em granilite!

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  5. De onde são os cobogós?

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    • Oi Ana, tudo bem?
      Eles foram desenhados pela arquiteta Teresa Mascaro e executados pela Neorex. Bjs

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  6. Dos mais lindos que ja vi por aqui!

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    • Oba!!! Que delícia você por aqui Marina. 🙂
      Estamos de olho na casinha nova hein? hehehe

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  7. Muito Bonito de muito bom gosto!Gostei!

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  8. Maravilhoso. Não tem defeitos. Gostaria muito de saber o custo total de uma reforma assim, porque sempre acho que o valor da reforma é o preço de outro imóvel!

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    • Oie, tudo bom?
      Na verdade é um pouco difícil saber os custos de uma reforma. Vai depender muito de cada caso, e da condição original do imóvel.
      Alguns são mais detonados, outros menos… Fora que os revestimentos e o projeto podem seguir linhas e faixas bem diferentes de preço.
      Mas toda reforma envolve investimento sim! Bjs

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