Apartamentos pequenos podem ser muito aconchegantes, mas sabe aquela vontade latente de ter mais espaço? Foi isso o que impulsionou a arquiteta Ana a sair de seu antigo endereço (com 50m²) e procurar um novo lugar. Para viabilizar essa mudança e ganhar uma companhia diária, ela uniu forças à amiga Bruna, roteirista. “Eu e a Bruna morávamos cada uma em um apê menor. Decidimos morar juntas para ter uma área maior e nos ajudarmos no cuidado da casa e dos gatos”, Ana explica. Metas alcançadas: hoje a dupla tem 100m² (o dobro de antes), com uma varanda bem especial, luz natural banhando todos os ambientes e dois gatinhos mais felizes.

Elas se mudaram no final do ano passado, porém não demorou muito para que conseguissem deixar o apartamento do seu jeito. O imóvel alugado tinha uma boa base – bem cuidado, com pintura nova e piso de tacos – mas de resto estava totalmente vazio, então Ana precisou colocar em ação seus talentos de arquiteta. Além de bolar o layout dos espaços, ela curte colocar a mão na massa e tem a mania de pintar móveis e objetos com spray para repaginá-los. “Nesse apê, como não havia nenhuma marcenaria na sala e na cozinha, fizemos as estantes com o sistema de trilhos, suportes e pranchas de MDF”, conta. Segundo ela, é possível cortar os trilhos e as prateleiras na medida ideal direto com as lojas dos materiais, então fica mais fácil.

Outro desafio da casa era conciliar os gostos (e as relíquias) das duas amigas, mas Ana e Bruna criaram um método bacana para isso: levaram para a mesa de jantar todos os objetos, quadros e itens favoritos de cada uma para depois pensar em como misturar as coisas. “Com tudo à vista, fomos entendendo o que combinava com o que, separando por tipos: os gráficos, os coloridos, os simbólicos, etc. Assim fomos fazendo cada canto da casa”, Ana diz. Na estante, um dos quadros traz uma ilustração que representa as moradoras e uma terceira amiga, Luciana, autora do desenho feito a partir de uma fotografia. “É como um amuleto, uma foto de família!”, contam.

As moradoras também não dispensam um bom garimpo. A luminária da sala de jantar, por exemplo, é uma peça para espelho de camarim que Ana encontrou na Rua da Consolação e colocou um interruptor dimerizado para fazer efeitos de luz incríveis. As almofadas do sofá vieram da casa de sua avó e a princípio serviriam como caminhas para as gatas, mas com o tempo a arquiteta foi se apegando cada vez mais a elas. “A Bruna adora a escrivaninha do escritório, é o objeto que traz para ela um certo pertencimento, pois a acompanha há várias mudanças. Tem também um postal (que hoje está na porta da entrada), é uma ilustração de um passo a passo para dar nó em gravata, com a legenda ‘O dia em que eu me preparei para que você me amasse’. Esse postal estava grudado na porta de um dos guarda-roupas. Foi o único item pessoal que encontramos nesse apê, no dia da vistoria”, Ana lembra.

Os gatos, os livros, as plantas, as fruteiras cheias e as conversas na varanda no fim do dia são detalhes delicados que preenchem a rotina do apartamento com carinho. Com ideias de intervenção mínima e barata, como as estantes e a iluminação, a decoração tem uma atmosfera leve e alegre, sem afetação. “O que traz personalidade para o apê tem a ver com o exercício de unir os gostos, objetos queridos, memórias e vontades de duas pessoas que já tinham sua casa e seu universo. Essa conversa de duas histórias é bem bacana”.

Fotos por Gisele Rampazzo