É impossível não se surpreender ao entrar no apartamento da jornalista Juliana. A cobertura de 63m² em um prédio antigo nos Jardins tem pé-direito alto, forro aparente e grandes janelas, por isso o espaço passa a impressão de ser uma casa suspensa sobre a cidade. Na verdade, foram exatamente esses detalhes que fizeram Juliana se apaixonar pelo lugar à primeira vista. “Uma vez, aluguei um apê com cobertura similar e fiquei encantada com a decoração como um todo, mas, principalmente, com o pé-direito, que dava uma sensação de amplitude e trazia aquela memória afetiva de infância de uma casa. Na mesma época estava olhando alguns apartamentos e por uma grande coincidência apareceu esse aqui”, ela diz.

Apesar da arquitetura interessante, o imóvel precisava de diversas reformas, pois anteriormente ele funcionava mais como o ateliê de uma artista do que como uma residência. A moradora lembra que não havia guarda-roupa, a cozinha era meio improvisada e algumas janelas estavam velhas, entre outras coisas. Assim que decidiu reformar, Juliana logo pensou no escritório que tinha idealizado aquele apê que serviu de inspiração inicial em sua busca por um novo endereço, então ela quis chamar a mesma equipe para seu projeto: os arquitetos Rogério Gurgel e Regina Strumpf.

Todos os ambientes passaram por mudanças durante a reforma, porém as intervenções mais impactantes foram: o layout em L e o piso vinílico azul na cozinha; a parede de tijolinhos e o rack de concreto na sala; a marcenaria com mesa de trabalho e banco embutido sob a janela; e a porta de correr de serralheria e vidro que divide o quarto sem comprometer a amplitude. A serralheria em amarelo mostarda se repete na porta do banheiro e da área de serviço, outros dois cômodos transformados no novo projeto.

Além de todos esses detalhes arquitetônicos que já serviram para trazer identidade à decoração, Juliana também fez questão de inserir diversos elementos coloridos no apartamento. “Eu gosto muito de cores, de flores… e no outro apê em que morava a decoração era um pouco mais sóbria. Acho que acabei enjoando e querendo revolucionar mesmo, fazer algo que tivesse mais o meu estilo. Vendi os móveis antigos, pois achei que não combinariam no novo projeto, e fui optando por coisas mais coloridas, leves e alegres”, ela explica. Como o pé-direito é alto e as paredes são branquinhas, a presença de tantas cores não pesou.

Um elemento recém-chegado, e que transformou totalmente o espaço, é o papel de parede de borboletas da marca branco. instalado na cozinha. “Esse foi um ambiente em que fui com mais cautela nas cores, porque já havia escolhido um mármore chamativo para a bancada. Parecia que ainda faltava algo, mas não sabia o que. Achei o papel uma ótima solução, deu mais vida para a cozinha, além de ter uma qualidade incrível: parece que cada borboleta foi pintada na parede, e não que é um papel”.

Juliana nunca quis uma casa impecável e certinha demais. O que ela buscava mesmo era um lar despojado e informal, que tivesse a ver com sua personalidade e trouxesse à tona as coisas que mais ama: música, lembranças de viagem e cores alegres. “Para mim era fundamental um lugar onde eu me sentisse bem. Me identifico muito aqui e, ao mesmo tempo, achei que o apê ficou muito prático, tudo fácil de usar, e ainda restou espaço livre”, ela fala.

4 soluções criativas do apartamento

* Marcenaria multifuncional: Como Juliana trabalha em casa, ela precisava de uma bancada bem confortável e prática, por isso os arquitetos desenharam um móvel sob a janela que agrupa diversas funções. Além da mesa de trabalho, a peça tem um banco onde a moradora pode ler ou relaxar curtindo a vista, e também armários na parte inferior para armazenamento. Segundo ela, até os gatinhos Jazzy e Elvis são fãs dessa parte da casa.

* Nicho para discos de vinil: Juliana não queria simplesmente guardar seus discos de vinil de forma organizada – ela também pediu aos arquitetos que as relíquias tivessem um destaque na decoração. Daí surgiu a ideia de criar um nicho de madeira onde as capas ficam expostas como se fossem obras de arte.

* Balanço sob a viga: Mais do que um item de decoração, o balanço na sala é quase terapêutico. “Acho que todo mundo deveria ter um em casa”, a moradora brinca. Vale ressaltar que a peça deve ser instalada em uma área bem firme do teto para garantir.

* Serralheria colorida: As portas de serralheria trazem autenticidade ao projeto e funcionam muito bem para isolar os ambientes apenas quando necessário. Por serem de vidro, elas não impedem a passagem de luz e dessa forma ajudam na sensação de amplitude dos espaços. No quarto a moradora pediu a instalação de uma cortina rente às portas para que pudesse ter privacidade quando quisesse.

Fotos por Gisele Rampazzo