Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

A casa da jornalista e editora Michele e do fotógrafo Rafael já testemunhou histórias felizes vividas por diversas gerações da família. Construída pelo pai e pelo avô de Rafael nos anos 70, ela foi o refúgio da matriarca dona Emília durante quatro décadas. Após seu falecimento a família não queria se desfazer do imóvel, então o casal decidiu revitalizá-lo, mas sem abrir mão dos detalhes que o tornam único. “Como a gente já vivia ali perto e tinha criança e cachorro, foi algo natural mudar para lá. A casa combinava bem com o nosso momento e estilo de vida”, Michele conta.

Os moradores confiaram a reforma aos arquitetos do Estúdio Risco, amigos de longa data. Eles souberam atualizar a construção sem eliminar suas características originais”, dizem. Apesar dos espaços generosos, a casa era muito compartimentada e escura, por isso o projeto previu a demolição de várias paredes, integrando os ambientes visualmente e abrindo-os para a área externa. “Basicamente, onde hoje é vidro antes era parede”, a moradora brinca. Sem barreiras, a sala esbanja luz natural e amplitude para receber os amigos – bem do jeito que o casal queria.

Outro detalhe importante da reforma é a referência à arquitetura das casas bandeiristas, presente no grande alpendre da entrada e também nas esquadrias pintadas de azul. Como a construção trazia materiais de excelente qualidade, a ideia do casal era preservá-los ao máximo – o piso de madeira da sala e dos quartos foi restaurado e todas as esquadrias originais foram mantidas. Já a elétrica, a hidráulica e o telhado precisaram de uma renovação completa.

A decoração é descomplicada e reflete a busca por uma casa funcional para seus diversos usos: descansar, receber, brincar, ler, ouvir música, cozinhar, comer e beber. Os móveis e objetos simplificam a rotina, mas também contam histórias de outros momentos de vida – há peças dos tempos em que os dois eram solteiros, como a cristaleira branca na sala de jantar, trazida do primeiro apartamento de Michele, ou a mesa de jantar, uma relíquia de Rafael, além de itens herdados de família.

“Com os anos fomos completando os espaços conforme o surgimento das necessidades – estante para mais livros, um segundo sofá, cadeiras para área externa, etc. Acredito que a decoração é um projeto em constante atualização. Assim, peças de diferentes épocas convivem em nossa casa”, a jornalista explica. Michele já foi editora-chefe da revista Bamboo e hoje continua escrevendo sobre arquitetura e decoração, então ela foi se apaixonando cada vez mais pelo tema e esse interesse acaba se traduzindo na casa.

As crianças curtem a casa tanto quanto os adultos. Teodoro, de 12 anos, aproveita o jardim para jogar bola e se divertir com os cães, Nora e Ares. Já Rosa, de dois anos e meio, tem um canto de brincadeiras garantido na sala. “Como o ambiente é grande, cedi bastante espaço para a Rosa brincar e há poucos meses instalamos o balanço, que é mais uma opção para ela se divertir. Os brinquedos hoje fazem parte da decoração e assim será por muitos anos”, Michele fala. O piano, que também fica ali pertinho, pertenceu à tia de Rafael e é uma grande atração, já que toda a família gosta muito de música.

Desde o início da reforma o primeiro desejo da moradora era ter uma cozinha integrada ao estar – e o pedido foi atendido em grande estilo. O cômodo foi deslocado para a área onde antes ficava o escritório e se tornou um protagonista no espaço aberto. Para deixar a decoração mais alegre, o casal e os arquitetos escolheram acabamentos na cor laranja para a ilha central. “O que mais gosto é poder cozinhar e conversar com os convidados ou a família ao mesmo tempo, e também acompanhar as brincadeiras da Rosa na sala”.

Michele conta que os interesses de todos estão refletidos nos espaços: música, literatura, brinquedos, cães, família e amigos. “É uma casa que tem sempre muita gente. Eu e o Rafa realmente temos prazer em convidar as pessoas, mas também apreciamos ficar só entre nós, cada um concentrado em uma atividade. A casa nos permite tudo isso”. * Ei, quer conferir mais fotos? Então não perca o Capítulo 2, é só clicar no ‘Continua’.

Fotos por Gisele Rampazzo

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