Manuela não vem de uma família de arquitetos, porém seu interesse pelo assunto começou cedo, por volta dos 12 anos de idade, na época em que seus pais contrataram um escritório para construir uma nova casa. A partir daí sua paixão pela arquitetura só cresceu – tanto que hoje ela comanda o Estúdio Deixa ao lado das sócias, Gabriela e Maria. Projetado pelo trio, o apartamento de Manu revela um olhar delicado sobre os espaços e sobre os móveis e objetos que contam sua história. * Se ainda não leu o Capítulo 1, clique AQUI para conferir a matéria. 

Durante a reforma a retirada de duas paredes causou um grande impacto no apê: de um lado o quarto, que agora possui um armário dupla face o separando da sala; do outro a cozinha, ligada à área de serviço por meio de um móvel similar. “Essa mudança deixou o apartamento todo integrado, é quase como se tudo fosse um cômodo só. Nossa intenção era integrar os espaços e criar novas divisórias mais transparentes e funcionais, por isso os armários metálicos que servem a ambos os lados”, a moradora diz.

A cozinha tem vários atrativos, como a área da bancada encaixada sob a janela ou os armários em compensado com furos estratégicos para garantir ventilação. Outro elemento especial é o balcão alto que liga o ambiente à varanda, como uma espécie de ‘bar’ ao ar livre. A arquiteta conta que antigamente esse trecho do apê era usado apenas como área de serviço: “Existia uma parede baixa que escondia um tanque e isso separava essa parte da varanda. De acordo com minhas necessidades, quebramos essa parede e substituí o tanque por uma pia com bancada que hoje serve tanto para receber amigos quanto como apoio nas tarefas do dia a dia”.

O ponto de partida para a decoração do quarto foi a cama baixinha com base de madeira trazida do antigo endereço de Manu. “Ela é meu elemento preferido no ambiente, pois ocupa pouco espaço, então deixa o quarto mais agradável”, a moradora explica. Como complemento à estante-armário com gavetas e nichos abertos, as arquitetas desenharam um guarda-roupa com portas de correr – nessa peça os furinhos para ventilação foram usados novamente. “O guarda-roupa foi pensado de uma maneira bem funcional: eu medi tudo o que tinha de roupa e sapato e fiz caber. No final até sobrou espaço”, Manu brinca.

Faz apenas três meses que Manu se mudou para o apartamento, mas como uma tela em branco ele aos poucos está sendo lapidado de acordo com seu estilo pessoal. Enxuto tanto no tamanho quanto na paleta de cores e materiais, o apê une minimalismo e emoção: “Quis que as paredes fossem todas brancas para ter a liberdade de agregar meus objetos ao longo do tempo. Quadros, pôsteres, novas lembranças e histórias”.

Fotos por Gisele Rampazzo