A casa da cenógrafa e diretora artística Gigi Barreto é mais do que um espaço para se chamar de lar. Ela é, na verdade, uma experiência em constante movimento. Paredes repletas de arte, cômodos com muitas plantas e pinturas desenvolvidas com artistas brasileiros ocupam esse apartamento localizado no Flamengo, no Rio de Janeiro – com uma vista nada banal para o Pão de Açúcar. Ao longo da carreira em cenografia, Gigi já trabalhou com nomes conhecidos da música, como Maria Bethânia e Djavan, mas em seu novo projeto “CasaVidaCenário”, os palcos deram lugar ao espaço mais comum e íntimo das pessoas: a casa.  

“A casa é o nosso ponto de partida para a vida: uma soma de ideias, de escolhas, de pessoas e do que somos. Ela é a nossa identidade, a nossa maneira única de ver e estar no mundo”. Assim surgiu o conceito por trás do novo projeto de Gigi, que usa sua experiência como cenógrafa para transformar os lares das pessoas. Junto com os moradores e sua equipe, o “CasaVidaCenário” traz novas narrativas para o lugar habitado, apostando em garimpos, peças de artesãos e artistas brasileiros e, claro, muita criatividade.  

A influência de seu trabalho é totalmente presente nesse apê para onde se mudou com as duas filhas em julho de 2020: “A casa não é sobre decoração, e sim sobre um modo de vida. Essa casa é uma composição das outras onde eu vivi”, conta. E praticamente tudo nesse apartamento nasceu do olhar criativo de Gigi. O espaço estava vazio há dois anos, então foi necessário preencher todo o lugar com muito afeto e boas memórias. O prédio, construído em 1940, estava com as instalações bem preservadas, o que demandou da moradora apenas o ajuste da iluminação geral, a quebra de uma parede no quarto da filha Clara e as pinturas no hall de entrada e no quarto da adolescente.

Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes
Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes
Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes
Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes
Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes
Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes
Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes
Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes
Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes
Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes

A parceria com o artista Derlon de Almeida resultou na obra “Mátria”, uma pintura em toda a extensão do teto no hall de entrada que desconstrói a ideia da Capela Sistina. No lugar de um homem branco criando outro homem, a obra coloca figuras femininas em destaque, trazendo como reflexão a luta por um mundo com mais representatividade. Deu vontade de espiar? Veja aqui

Se a entrada do apê é assim, a decoração de todo o resto só poderia vir com muita potência e personalidade para preencher as paredes brancas e os cômodos espaçosos. “Tudo foi pensado no modo de vida da minha família. Nosso lifestyle, o fato de eu trabalhar em casa, ter dois gatos, um cachorro e muitas plantas, valorizar a música e receber os amigos. É uma casa que retrata como a gente se coloca no mundo, e recheada de arte”, diz a moradora. 

O que também não poderia ficar de fora são os móveis e objetos garimpados, que aparecem tanto em seu lar como nos projetos desenvolvidos para o “CasaVidaCenário”, pensando sempre nas histórias por trás daqueles itens e também na importância da economia circular. “É um fundamento do meu trabalho, alinhado com a sustentabilidade, a valorização da ancestralidade e a conexão com as minhas memórias afetivas”, conta.  Para se juntar a essas relíquias, entram muitos objetos inspiradores para Gigi, que remetem à diferentes lembranças, seja de viagens, lugares ou da natureza. Inclusive, o apê é repleto de plantas que ajudam a delimitar os cômodos integrados e amplos. 

Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes
Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes
Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes
Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes
Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes
Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes
Apartamento no Rio de Janeiro de Gigi Barreto, com decoração cheia de plantas, quadros e pinturas nas paredes

Pensar apenas em decoração não é exatamente o que faz a cabeça de Gigi. Para ela, a casa é a extensão de sua vida. Por isso, um lar precisa contar a história das pessoas que moram ali dentro, indo além da simples função de completar um canto vazio. E isso a cenógrafa faz muito bem. Na rotina, há também alguns fatores que deixam o lugar com mais cara de lar, como curtir o momento das refeições, desenhar, tocar instrumentos e assistir a séries de TV. Tudo isso se transforma em sensações que Gigi sabe descrever muito bem como essenciais em seu dia a dia: “Acolhimento, proteção, conforto e uma verdadeira coerência com meu modo de vida”, ela elenca. Dessa maneira, a moradora e suas filhas aproveitam um espaço único, fruto de suas personalidades marcantes e desse olhar criativo para a vida.  

Texto por Natália Pinheiro | Fotos por Felco