A casa toda decorada em tons neutros é um espaço de paz e bastante tranquilidade para Dylan, dona da marca de roupas Santuário Botafogo, seu marido e os dois filhos pequenos. As paredes brancas e o toque minimalista estão por todos os cômodos nesse sobrado em Botafogo, no Rio de Janeiro. Porém, nem sempre foi assim. Para começar, Dylan nem morava no Brasil. Nascida nos Estados Unidos, ela se casou em 2009 com Bruno, que é carioca. Depois disso, o casal resolveu se mudar para a cidade maravilhosa. “Desde a primeira vez que conheci o Rio, entre 2007 e 2008, me apaixonei por Botafogo. Vi as vilas e sobrados antigos ‘pedindo’ para alguém entrar e reformar”, lembra.

E foi isso que acabou acontecendo. O sonho do casal era reformar um sobrado em Botafogo para chamá-lo de lar, e essa oportunidade surgiu quando eles encontraram uma casa construída em 1916 precisando de muitas transformações e esperando por alguém com paciência e atenção para reformular o espaço. “Um amigo nos apresentou a Elaine e a Anna, do Ateliê de Arquitetura. Desde que entrei no escritório delas com meus desenhos e inspirações, sabia que iria dar certo! Nos entendemos muito bem”, conta Dylan. O caminho foi trabalhoso, mas valeu a pena. O imóvel estava um tanto deteriorado e abandonado, então muita coisa foi deixada para trás: “Eu queria ter salvado mais detalhes originais, mas a casa estava em um estado muito ruim, precisávamos reformar tudo”, explica.

“Quebramos todas as divisórias internas do térreo e fizemos sala e cozinha integradas na parte da frente”, conta a moradora. O espaço onde originalmente ficava a cozinha, mais ao fundo da casa, se transformou em um segundo quarto. Uma estrutura metálica também foi criada para dar vida ao andar superior e ao terraço. Já a fachada do sobrado foi mantida, e é preservada pelo Patrimônio Histórico da cidade. “Na entrada lateral, pelo quintal que dá para a vila, conseguimos preservar a pequena escada de pedra e o mosaico de azulejos no hall de entrada”. Como resultado do projeto, os espaços se tornaram amplos, arejados e ainda possuem uma área externa perfeita para relaxar no ofurô ou brincar com os filhos no quintal.

Casa no Rio de Janeiro com decoração em tons neutros e estilo minimalista.
Casa no Rio de Janeiro com decoração em tons neutros e estilo minimalista.
Casa no Rio de Janeiro com decoração em tons neutros e estilo minimalista.
Casa no Rio de Janeiro com decoração em tons neutros e estilo minimalista.
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Casa no Rio de Janeiro com decoração em tons neutros e estilo minimalista.
Casa no Rio de Janeiro com decoração em tons neutros e estilo minimalista.
Casa no Rio de Janeiro com decoração em tons neutros e estilo minimalista.
Casa no Rio de Janeiro com decoração em tons neutros e estilo minimalista.

Na parte de dentro, as paredes claras conversam com itens de cores neutras e leves. Além de combinar com o estilo de Dylan, essa escolha tem outro motivo: “Sou uma pessoa com muita energia, e meus filhos também. Então, gosto que meu lar seja um santuário e me deixe relaxada. Também canso de cores e estampas muito rápido, prefiro comprar e amar algo por anos”, ela diz. Inclusive, destacar os objetos pelos quais a moradora realmente é apaixonada se tornou uma das características da decoração.

A poltrona que fica embaixo da escada foi comprada em uma andança pelas ruas e se tornou um dos xodós dela, por exemplo. Outros dois objetos também têm um lugar especial no coração: o telefone todo em couro, dos anos 1970, que ela garimpou nos EUA em um mercado de pulgas, e a luminária “Saucer”, de George Nelson para a marca Herman Miller. “Foi a primeira – e única – peça de design que compramos anos atrás na Califórnia. Eu sabia que seria uma peça para sempre”, diz.

Casa no Rio de Janeiro com decoração em tons neutros e estilo minimalista.
Casa no Rio de Janeiro com decoração em tons neutros e estilo minimalista.
Casa no Rio de Janeiro com decoração em tons neutros e estilo minimalista.
Casa no Rio de Janeiro com decoração em tons neutros e estilo minimalista.

É evidente que a ligação com a Califórnia é uma referência na casa. Para Dylan, as cerâmicas de que ela tanto gosta são itens que a transportam direto para o estado norte-americano em sua memória, mesmo que a maioria das peças seja de ceramistas brasileiros. Junto disso, ela mistura os móveis de madeira, os vasos com flores e os tecidos aconchegantes para criar texturas nos ambientes e trazer equilíbrio ao lado de materiais mais frios, como o mármore e o metal. Em cada escolha, o jeito de ser da moradora está presente. Assim como a estética de sua marca de roupas, que é uma influência de mão dupla: “Quem trabalha com design está sempre se inspirando em tudo. E minha loja foi inspirada pela minha casa”, ela fala.

“A minha marca é muito o meu lifestyle e eu não queria ter uma loja só de roupas, então criei uma segunda casa onde vendo as peças que amo e coloco ou colocaria em meu lar”, ela diz. E essa ligação profunda entre todos os aspectos da própria vida ganha ainda mais significado em casa, onde tudo se conversa de forma harmônica.

Mas muito mais do que fazer as escolhas certas para cada objeto decorativo, Dylan prioriza os momentos de amor e alegria com a família. “Todo mundo fica na cozinha conversando ou na sala assistindo um filme. Ficamos também no terraço e no ofurô depois de um dia na praia, por exemplo”. No fim, é isso o que realmente importa: “As pessoas que vivem dentro da casa fazem dela um lar, na proximidade e intimidade desses relacionamentos. Sem isso, a casa é só um lugar bonito, mas não um lar”.

Texto por Natália Pinheiro | Fotos por Leila Viegas