Quando passamos por um processo intenso de mudanças pessoais e profissionais, é natural que a gente também queira mudar a nossa casa, ou – em casos mais radicais – trocar de casa mesmo, com direito a novo endereço e um recomeço total. Foi assim com o designer Guilherme, que fez de 2020 um ano sabático e optou por deixar um apartamento maior no Jardins para viver em um estúdio mais calmo e conectado com a natureza entre as regiões de Pinheiros e Vila Madalena. “A luz natural e o espaço do jardim com certeza foram os pontos altos na decisão de morar nesse apartamento que mais parece uma casa. Aqui tem sol praticamente o dia inteiro, além de ser rodeado por árvores”, conta o morador.

Quando ele chegou no apê, o espaço estava completamente vazio, com a estrutura bem crua, já que ninguém tinha morado nele ainda. Só estavam ali o piso de madeira e as marcenarias da cozinha e dos banheiros, então Guilherme tratou de preencher tudo com muito significado e com seu estilo. Todos os móveis e objetos têm uma história e o designer se lembra de como cada peça foi parar ali, desde o aparador vintage comprado tempos atrás na Califórnia, até as obras de arte, assinadas por nomes atuais ou artistas já consagrados que ele admira.

Entre todos os espaços, a área externa foi onde Guilherme teve mais margem para transformação e pôde externalizar seus desejos: “Desde o início, contei com a ajuda da designer de interiores Linna Li para pensar em um ambiente que fosse uma continuidade do resto da casa. Inicialmente decidi colocar plantas mais altas e ornamentais, o que o deixou bem agradável e fresco, mas um pouco intenso demais. Então durante a pandemia percebi que queria algo mais sereno e com menos informação. Optei por reduzir o volume das plantas, colocar um gramado e um sofá com chaise, e chamei a artista Camila Cherobin para fazer um painel emoldurando a parede mais ao fundo”, ele conta.

No dia a dia, ele gosta de ler no jardim — deitado no sofá ou em alguma das poltronas — além de também ter transferido o café da manhã para lá. Quando tem o começo do dia livre, o morador aproveita para se dedicar à pintura antes de o sol bater no apartamento e, não importa a ocasião, sempre há música tocando ao fundo.

Para Guilherme, o fato de estar em um ano sabático, somado ao isolamento social que o manteve dentro de casa, fez com que seu espaço privado se tornasse ainda mais importante, então ter sua história contada por todos os cantos fez muita diferença para que ele se sentisse acolhido pelo apê. Foi nesse lugar que, em 2020, ele naturalmente se entendeu em um processo de desacelerar, ter mais paciência e se permitir dedicar mais tempo para começar a pintar, cozinhar com mais frequência e cuidar das plantas do jardim. Enfim, viver ao máximo seu lar:

“Cada pedaço da minha casa é um pedaço de mim. Cada detalhe foi escolhido a dedo e tem algum significado na decisão de fazer parte do ambiente onde passo a maior parte do tempo atualmente. É um lugar que me conforta, me protege, me inspira. Talvez por isso eu goste tanto de repensar os ambientes e os espaços, de mudá-los assim como eu mesmo mudo constantemente…” o morador diz. Quer inspiração maior do que essa?

Texto por Yasmin Toledo | Fotos por Gisele Rampazzo