Livre para se expressar | Juliana Maia

Conheça as criações poéticas de uma artista têxtil que trabalha em casa

Ideias únicas e engessadas não têm vez no apartamento de Juliana e Matheus. Ali, o espaço reflete a personalidade dos moradores: duas almas criativas e um tanto quanto expressivas. Ela é arquiteta e artista têxtil, e ele, além de designer gráfico, é calígrafo e adora fazer cadernos. Para completar, o casal trabalha em casa, em um lugar que une morada, escritório e ateliê. “Como a sala é grande, deu pra criar esses ambientes de forma bem integrada e funcional. Cada um tem sua mesa e, embora trabalhemos em profissões distintas, pedimos a opinião um do outro e estamos sempre compartilhando”, eles contam.

Antes de pensarem em morar juntos, o crescimento do ateliê de Juliana já estava a deixando sem espaço no endereço anterior, mas a compra de um tear de pedal foi o empurrãozinho que faltava para a mudança. A missão se tornou alugar um apê com maior metragem e menores custos, e, surpreendentemente, o destino a presenteou com um imóvel em um prédio icônico projetado por Gregori Warchavchik. Na época, ela ainda morava sozinha, mas depois Matheus se tornou o maior frequentador do lugar. “Ele passava horas na varanda, pintando e desenhando nos seus infinitos cadernos. Entre os rabiscos, regava as plantas, tomava uma cerveja, e já se sentia acolhido”, lembra Juliana. Daí veio a decisão de compartilharem o lar por completo, juntando rotinas, referências e até os cachorros Francisca e Benjamin.

Apesar de ser de Recife, a artista têxtil já mora em São Paulo há 10 anos, por isso a maior parte dos móveis veio de seu antigo apê. Já Matheus está na cidade há menos tempo e é dono de uma bela coleção de livros e quadros, o que acabou ornando perfeitamente. Para Juliana, possuir peças soltas a deixa mais livre para mudar – dentro ou fora do imóvel – e experimentar novos formatos, sem se preocupar em combinar ou esconder rastros. Além disso, ela também é arquiteta e desenhou parte do mobiliário do lar, que foi executada por seus parceiros de serralheria e marcenaria.

Pelas paredes estão os quadros de Matheus, com desenhos, testes de caligrafia e personagens que ele desenvolve, juntamente com os trabalhos têxteis de Juliana, que envolvem técnicas e materiais diferentes. “Gosto de olhar para as experimentações no meu dia a dia, para elas me levarem sempre para outro lugar. É como se fossem rastros, vestígios para uma próxima criação. Elas me orientam a continuar criando”, diz a moradora, ligada ao trabalho têxtil desde pequena, quando aprendeu alguns pontos com sua avó.

Para produzir qualquer uma de suas criações, o trabalho começa na mesa, onde Juliana experimenta cores, cria croquis, pesquisa referências, corta tecidos e linhas e usa a máquina de costura. O tear de pedal, que antes pertenceu a sua professora, hoje é mais uma extensão de seus projetos. Ali, o processo é lento e minucioso e antes de começar a tramar, cada fio é colocado com atenção para formar a estrutura das peças.

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PEÇAS INSPIRADAS NESSA HISTÓRIA

Na varanda, Juliana e Matheus criaram uma solução prática com blocos de concreto para sustentar os vasos de planta, uma vez que a jardineira original do prédio foi descaracterizada pela proprietária do imóvel. Para deixar o espaço bem cheio de vida, eles mesmos plantaram as espécies que possuem: “Fazemos muitas coisas juntos, botando a mão na massa ou pedindo opinião e sugestões de novas ideias para casa”. Aliás, para eles, essa é justamente a graça do apê: dividir os ambientes em diferentes momentos e compartilhar a alegria de viver em conjunto. 

Texto por Yasmin Toledo | Fotos por Gisele Rampazzo

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COMENTÁRIOS # 4

  1. Ambientes harmoniosos, simples e confortáveis. Não precisamos de mais nada :-)! As varandas dos edifícios têm sempre essa rede, no Brasil. É para evitar os assaltos ou por segurança, devido à altura do prédio?

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    • Verdade! Não precisamos mesmo de mais nada.
      As redes são por segurança. 🙂 Quem tem filhos pequenos ou pets (cachorros e gatos) costuma usar as redes para evitar acidentes. São bem comuns no Brasil mesmo.
      Beijos

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  2. Lindo seu trabalho. Bateu uma saudade… Moramos no ap.91, nesse mesmo bloco até final de 1979, qdo vendemos e mudamos para o interior do estado. Meus sogros moraram aí por muitos anos e foram muito felizes. Muitas lembranças boas daí. Sejam felizes! Sucesso!

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    • Oi Beth, tudo bom?
      Que lembrança gostosa! E que legal que você reconheceu o prédio, ficamos felizes que você tbm teve um pedacinho da sua história nele. 🙂

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