O jornalista Ricardo, criador do The Summer Hunter, a plataforma digital para apaixonados pelo verão, lembra bem de quando se mudou a trabalho de Curitiba para São Paulo, quase 18 anos atrás. Na época, o bairro de Pinheiros era bem menos agitado do que agora e os preços de aluguel eram convidativos para jovens como ele, o que motivou a sua estadia ali – primeiro em um apê alugado e, mais tarde, em seu próprio imóvel. “Acabei saindo daquele emprego, mas continuei morando nessa região, e dei sorte porque comprei o apartamento em um período de menos valorização”, ele conta. O endereço permanece o mesmo desde 2006, mas uma reforma recente repaginou não apenas o espaço físico como também a sua relação com o lar.

Para ele, viver no mesmo apartamento por 12 anos sem encarar grandes mudanças resultou em um lugar que, no decorrer do tempo, apesar de guardar muitas histórias, deixou de representar seus gostos e personalidade. “Claro que fui trocando algumas coisas, mas no geral era o mesmo apartamento desde que mudei. Ou seja, era um apê que eu gostava, mas não necessariamente traduzia o que eu era como pessoa. Era a casa de um jovem com outros objetivos e aspirações de vida”, conta o jornalista. Para o novo projeto, a intenção foi abrir mais espaço para receber amigos e cozinhar, o que foi possível com a integração da cozinha — antes fechada e estreita — e de um segundo quarto, que não tinha finalidade para o morador.

“O mais legal da sala são duas coisas: a primeira foi que abri mão da TV e fiz duas prateleiras com mãos-francesas de ponta a ponta na parede, com espaço para afastar alguns objetos e ali projetar uma tela, por isso coloquei um projetor no teto. A outra é que o tamanho do segundo quarto foi totalmente usado para fazer um sofá sob medida, com dois baús de madeira cobertos por um futon, e que também serve como uma casinha para a minha gata”, Ricardo compartilha.

Em meio à renovação da reforma, o morador precisou praticar não apenas o desapego, mas também o exercício do minimalismo, repensando a utilidade e o significado de seus pertences no dia a dia. Como trabalhou por muito tempo escrevendo sobre música, ele possuía mais de 1000 CDs e muita coisa acabou sendo doada. “Deixei só alguns livros que de certa maneira tiveram importância na minha vida ou me influenciaram”, ele diz. Entre os objetos queridos pelo jornalista também estão dois quadros presenteados por amigas artistas e uma coqueteleira de cristal vinda da casa de sua família, no Paraná. Além disso, a presença de plantas deixa o astral mais leve e agradável, bem no clima do verão que ele tanto ama.

Por estar em Pinheiros há muitos anos e não precisar sair de perto de seu prédio nem mesmo para trabalhar, Ricardo considera que sua relação com o bairro é quase como a de alguém que vive em uma cidade do interior, sem a necessidade de um carro para ir aos lugares. Mas se antes da reforma ele não fazia tanta questão de estar em casa — a não ser pela companhia da gata Cora, após a transformação o ambiente caseiro ficou bem mais gostoso e convidativo: “Eu amo passar as tardes de sábado na sala, com a janela aberta, o vento entrando, ouvindo música e lendo algo deitado no sofá…”

Texto por Yasmin Toledo | Fotos por Leila Viegas