Camila se lembra bem de quando era pequena e brincava com as plantas no jardim de sua avó, no extremo norte de São Paulo. Desde então começava a sua admiração pela flora, que mais tarde tomou forma de arte. “Isso acabou se tornando o ponto de partida para as reflexões que depois viraram trabalhos. Em 1998, desenvolvi o projeto ‘Novas espécies de plantas’ e nunca mais parei”, conta a artista visual, que tem o reino vegetal como inspiração para suas obras. Não por coincidência, a casa onde vive com seu filho Marino é repleta de verde e luz. Para ela, cuidar das plantas, assim como dedicar tempo à criação de suas obras, é um de seus principais rituais de bem-estar.

No estúdio, ao lado da sala de estar, Camila tem tudo o que precisa para criar. Nos períodos que antecedem exposições, as horas ali são muitas e intensas, por isso ter esse espaço em casa permite maior versatilidade na produção, com a possibilidade de trabalhar até de madrugada ou aos domingos quando necessário. Com uma rotina extremamente criativa e interativa, o cômodo está em constante mudança e a disposição das coisas varia bastante. “Nada permanece como está, nem mesmo a mesa de trabalho, que às vezes sai de cena para dar lugar às esculturas de chão ou suspensas. Agora o estúdio ainda está com os resquícios do ‘Cerne’, minha exposição solo de setembro passado, para qual fiz uma pesquisa na Amazônia, no Instituto Butantã e na Mata Atlântica a fim de entender as serpentes, as raízes e o espectro solar no nosso trópico”, a artista explica.

Quando se mudou para o apê com o filho, a artista notou que uma das vantagens do imóvel era seu bom estado de conservação, o que permitiu uma reforma mais simples com somente alguns ajustes, a exemplo da alteração da Formica dos armários da cozinha, agora em preto e branco. Como adora cozinhar e ensinar receitas para Marino, Camila fez questão de trazer panelas, faqueiro e louças de sua antiga morada em Istambul. Além disso, um varal para pendurar ervas secas, panelas e peneiras também ajuda em termos de praticidade, enquanto o conforto fica por conta do Kilim no chão, da mesinha para o café da manhã e refeições mais simples, e dos cestos para frutas, verduras e temperos.

No quarto de Camila, sua paixão por tapeçarias e estampas encontra mais um possibilidade de se expressar de maneira inovadora: além dos tapetes no chão e sobre a cama, a parede de cabeceira abriga uma coleção de crochês comprada em um brechó na Finlândia: “Emendamos cada tapetinho, e tinha aquele barrado vermelho, que acabou sendo o ponto de fuga da composição”, conta a moradora. Como ela gosta da maneira como a luz reflete na cor rosa, a vontade de ter um espaço rosado já havia surgido antes mesmo de se mudar e foi realizada no apartamento atual. Já no quarto de Marino, a cor azul e a disposição dos móveis foram ideias dele mesmo, que soube aproveitar a liberdade de misturas nesse ambiente da casa.

Para a família, cada pedaço do apartamento é aproveitado à sua maneira: “Ficamos na sala para conversas sérias, na rede para resoluções de problemáticas, passamos bastante tempo juntos na cozinha… quando recebemos visitas para alguma refeição, usamos a sala de jantar, e a mesa também serve para fazer as tarefas da escola. As tardes na varanda lendo também são boas, ou assistindo os passarinhos que vêm comer as frutas que deixamos”, conta Camila.

Fotos por Felco