Viver há mais de 10 anos no mesmo endereço não impede o designer Alexandre de desenvolver constantemente novos olhares e demandas para o seu apê. Aliás, recentemente, o espaço passou por uma super transformação, que, além de deixar o visual mais minimalista, adaptou os ambientes para aumentar a sintonia com os novos hábitos do morador.

Como gosta de receber, ter uma sala espaçosa e aconchegante sempre foi importante para Alexandre, mas o prazer de cozinhar e as mudanças na rotina social da casa trouxeram mais atenção também para a cozinha. Se antes o apê era famoso entre os amigos pelas festas e o agito, hoje o designer se enxerga em outro momento: “A pista na sala cedeu lugar para jantares ao redor da mesa e para drinks no sofá. Essa mudança refletiu também na escolha do mobiliário e dos objetos. O que antes era pensado pelo ponto de vista de resistência e limpeza, agora é pautado pela delicadeza, conforto e até sofisticação”.

Na reforma, a cozinha ganhou novas portas de marcenaria e perdeu a bancada que a separava do restante do apartamento. Com o espaço mais integrado, Alexandre adotou alguns recursos para subverter a lógica de divisão dos ambientes, como permitir que o piso de madeira pintada invadisse também a cozinha ou criar uma horta na jardineira da janela da área de estar.

Em um apê totalmente integrado e com tons mais suaves na decoração geral, as obras no hall de entrada ganharam alto alcance para colorir todo o lugar. É nesse pedaço do lar que o morador guarda muitas de suas memórias, como, por exemplo, os quadros trazidos do Japão, da Alemanha e do México – países em que já viveu. Além dessas recordações, outros objetos e obras de arte também têm valor afetivo.

No quarto do morador, o clima dialoga com a totalidade do apê, mas procura trazer mais aconchego por meio do teto pintado de cinza – uma sugestão de Murilo Nogueira, arquiteto e amigo de Alexandre. “Uma característica da casa que foi trazida para o quarto foi o uso de móveis baixos, aqui com uma peculiaridade: como eu não conseguia achar um mobiliário com as características que queria, adquiri algumas peças e alterei o desenho cortando seus pés. Foi o que aconteceu com a cama e com o criado mudo, através de um projeto divertido, em que fotografei e estudei proporções no Photoshop antes de chamar o marceneiro e o serralheiro para o ajuste”, conta o designer.

Para o morador, seu lar reflete seus gostos e valores, representando um terreno fértil para se estabelecer uma relação de afetividade e intimidade com o espaço: “Minha casa funciona como um farol pra mim, um safe place. Estando em São Paulo ou mesmo bem longe, ter esse norte me traz conforto”.

Fotos por Maura Mello