Não faz nem um ano que a arquiteta Viviane se mudou para um apartamento antigo com sua família, porém nesse meio-tempo ela já sentiu vontade de transformar a decoração drasticamente. Os móveis e objetos permaneceram os mesmos, mas a atmosfera do apê está bem diferente. O mérito desse upgrade vai para a brincadeira colorida idealizada por Vivi e suas sócias no pro.a arquitetos. “Esse é um recurso que gostamos muito de utilizar em nossos projetos e com ele conseguimos unificar a sala”, ela explica.

O imóvel de 98 m² é alugado, mas isso não impediu a moradora de colorir as paredes. Mesmo porque pintura é algo reversível, então se a família precisar trocar de endereço é só pintar tudo novamente de branco. O que antes era um apartamento sem vida coberto por tons de bege, agora é um lar surpreendente que encanta o olhar de imediato. Vivi conta que o ímpeto para essa mudança radical nasceu de uma frustração: “A estante existente no apê sempre foi um ponto de desacordo. Não podíamos fazer muitas alterações físicas na peça, então a pintura serviu para tirar o foco da estante como objeto único. Por incrível que pareça, hoje posso dizer que o móvel tem a nossa cara e faz parte da história desta casa”.

Para deixar a planta da sala mais agradável sem precisar reformar o ambiente, a arquiteta inverteu a posição original do sofá com a mesa de jantar redonda – agora disposta em frente à porta de entrada. Apesar de pouco convencional, a solução permitiu que a área de estar ficasse mais linear e ampla. Além das cores e do layout, a decoração do apê conta com objetos de valor afetivo e peças divertidas trazidas de viagem, como o móbile comprado no museu Guggenheim, em NY, ou a mesinha lateral de Eero Saarinen que havia sido abandonada na garagem do prédio por estar com o tampo quebrado.

“Todos os móveis da sala têm uma história ou um significado”, a moradora diz. O rack de laca azul, por exemplo, foi desenhado por Vivi para seu antigo apartamento e hoje serve como apoio para outros itens especiais: a vitrola Crosley colorida, livros de arquitetura de seu marido, o também arquiteto Ronaldo Shinohara, e alguns objetos queridos da filha do casal, Naomi.

Dicas de como usar cores na pintura

As cores, nesse caso, serviram para unificar os espaços e trazer amplitude à sala, porém muitos são os efeitos que uma lata de tinta na mão e um olhar criativo podem oferecer. Veja algumas dicas legais que conseguimos extrair do apê da Vivi…

* Não pintar até o teto: Sempre que as pessoas pensam em paredes coloridas elas logo imaginam a pintura cobrindo toda a superfície, mas um bom jeito de fugir do óbvio é aplicar a tinta em apenas uma parte da parede. Reparem que a faixa branca próxima ao teto criou um respiro na sala e parece valorizar ainda mais a cor usada.

* Usar tinta para renovar móveis embutidos: Em seu quarto Vivi usou novamente o recurso da cor nas paredes, no entanto dessa vez a faixa de cinza vai até metade do pé-direito do cômodo e se estende sobre o guarda-roupa antigo, dando uma nova cara ao móvel. O resultado fica moderno e ainda valoriza o espaço.

* A cor como protagonista: “Quando falamos em cor na decoração muitos ficam receosos, mas a verdade é que as cores estão em tudo, basta organizá-las em toques pontuais, como almofadas, tapetes, acessórios…”, Vivi conta. Se a sua ideia é pintar uma ou mais paredes com um tom forte, procure escolher outras peças que harmonizem com a mesma paleta ou um móvel colorido que ‘amarre’ a composição, como a poltrona Paulistano com assento listrado.

 

Fotos por Gisele Rampazzo