Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio.

Já faz dez anos que o designer recifense Alexandre vive no mesmo apartamento em Santa Cecília, no centro de São Paulo, porém monotonia é algo bem distante de seu vocabulário. Durante esse período os espaços sofreram diversas metamorfoses – a sala, por exemplo, já teve todas as paredes pintadas de azul e vez ou outra ganha uma nova distribuição de móveis. “Meu apê é bem camaleão e passa por modificações em média a cada 3 anos. Como antes tudo estava mais colorido, nessa última intervenção quis celebrar a luz trazendo muito branco para os ambientes.”, revela Nino.

Além do mais, mudança é com ele mesmo. Por conta da carreira de seus pais, desde cedo o designer se acostumou a trocar de endereço, de bairro e até de cidade. Essa trajetória quase nômade o ensinou que o conceito de lar não depende das paredes que nos cercam – o que vale é o que está ‘dentro’ delas. Ainda assim, é claro que a estrutura e o entorno do apartamento são dois fatores muito importantes, tanto que Nino chegou a visitar mais de 50 imóveis antes de decidir em qual iria morar. O que o convenceu no prédio charmoso com pé-direito alto foi a dimensão dos cômodos e a rua arborizada em uma região onde é possível fazer tudo a pé.

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Antes de preencher o apê com os móveis e objetos que trazia dos outros endereços pelos quais passou, Nino precisou fazer algumas alterações estruturais, mas nada muito drástico. “Tive a sorte de que os moradores anteriores fizeram uma boa reforma e que ela atendia às minhas necessidades da época, como a cozinha aberta com balcão, um banheiro transformado em suíte e a criação de um lavabo. O que fiz foi encomendar uma nova marcenaria e remover a parede que dividia o segundo quarto da sala.”, relembra. Com essa divisória fora de cena, a área social do apartamento ganhou amplitude e mais iluminação natural. Para disfarçar a emenda que ficou no piso de tacos e as janelas com formatos diferentes, o designer recorreu a um tapete verde que ocupa quase toda a sala e instalou cortinas iguais dos dois lados, trazendo unidade visual.

Apaixonado por arquitetura e com vários amigos que trabalham na área, o morador não precisou de um projeto formal, porém contou com algumas dicas espertas durante os momentos de renovação do imóvel. Por isso além de seu próprio olhar, a decoração também é resultado de uma contribuição coletiva. O mobiliário, em sua maioria comprado quando Nino morava em um lugar com o dobro do tamanho, reúne peças interessantes e que foram garimpadas e repaginadas com o passar do tempo. Um desses móveis que já teve diversas versões é o buffet azul, arrematado em uma loja de doações e pintado posteriormente de forma improvisada.

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Uma das primeiras aquisições de Nino – e sem dúvida um dos destaques da sala de estar – foi o vaso de fícus, uma árvore que acabou estimulando a chegada de muitas outras plantas. Para o designer elas não carregam apenas a força estética do verde, mas também trazem aconchego à casa e instigam o hábito de cultivar e contemplar cada folha que nasce. Aliás, acompanhar o crescimento das plantas é um dos prazeres de estar no mesmo apartamento há tantos anos. Assim como os pequenos defeitos no piso ou a paisagem da cidade que está sempre mudando do lado de fora da janela, elas trazem marcas do tempo e das histórias vividas ali.

Fotos por Isadora Fabian, do Registro de Dia a Dia

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