É fácil entender porque os arquitetos Marcela e Pedro, juntos há dez anos, resolveram morar em um dos prédios mais interessantes do centro de São Paulo – o Edifício Eiffel carrega no currículo não só a assinatura de Oscar Niemeyer, mas também referências do período modernista e uma estética que remete ao trabalho de Le Corbusier. Fora ou dentro do apartamento, a arquitetura influencia a forma como o casal habita os espaços. Confira o Capítulo 1 para não perder nenhum detalhe.

… Tanto para Pedro quanto para Marcela a escolha da profissão nunca foi uma dúvida. Desde a época em que morava em Recife Pedro convivia com o tema através de um paisagista que era um grande amigo de seus pais. As longas conversas que tinham sobre como as pessoas interagem com as cidades foram tão motivadoras que ele e seu irmão decidiram seguir carreira na arquitetura. Ampla e arejada, a casa onde a família vivia no Nordeste também teve seu papel nessa história, pois ela o inspirou de alguma maneira. Para Marcela a certeza de que havia tomado a decisão correta veio logo após as primeiras aulas na Escola da Cidade, onde pôde finalmente assimilar todo o conteúdo que lhe interessava.

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Após duas reformas planejadas pelos próprios moradores, a cozinha se transformou no centro do apê, onde os dois curtem seus momentos de folga: “À noite, na hora em que tudo se silencia, o Pedro prepara alguma receita e eu fico esperando sua próxima novidade enquanto tomamos vinho e conversamos. São nestes momentos em que temos nossas melhores ideias, risadas e trocas.”, comenta Marcela. Não é à toa que o ambiente estimule esse clima de aconchego e interação. Com a remoção das paredes que bloqueavam a paisagem e a luz natural, a cozinha agora tem vista para a Praça da República e pode ser usada ao mesmo tempo em que os pais brincam com a filha no tapete da sala ou ouvem seus discos de vinil.

A união entre praticidade e beleza guiou o desenho da marcenaria, que também ficou a cargo do casal. Eles tiveram como ponto de partida o gabinete sob a pia, executado pela Marcenaria Baraúna durante a primeira reforma em laminado preto brilhante e compensado naval. Seguindo os mesmos materiais e acabamentos, os arquitetos projetaram os complementos do móvel superior, como o nicho para organizar garrafas sobre a geladeira e um módulo com portas de vidro que funciona como uma cristaleira moderna. Recortes camuflados nos armários embutem a iluminação amarelada e indireta que deixa a cozinha ainda mais atraente durante a noite.

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No andar de baixo do duplex o quarto principal ganhou soluções rápidas e econômicas, como o closet sem portas criado pelos moradores ou a base da cama, feita de paletes empilhados. Quase totalmente branco, esse canto tem pequenos detalhes em cor: uma obra de arte, uma luminária, os criados-mudos e a colcha com jeito de casa da vó que acolhe a família nos dias mais frios. Da janela o casal consegue espiar a silhueta sedutora do Edifício Copan, outra criação importantíssima de Niemeyer que fica a poucas ruas de distância. Sereno e confortável, o dormitório é como um pequeno refúgio suspenso sobre a cidade. Falando em Niemeyer, o banheiro principal ainda possui a mesma cuba com desenho geométrico idealizada pelo arquiteto para o prédio.

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Apesar das ruas movimentadas e ao contrário do que muita gente pensa, morar no centro de São Paulo é sinônimo de qualidade de vida. Além de aproveitarem as atrações culturais dos arredores e de participarem da história da cidade, Marcela e Pedro conseguem fazer tudo a pé, de metrô ou de táxi – tanto que venderam o carro há três anos e não se arrependem nem um pouco. Os arquitetos não acreditam em estilos definidos, pois isso sempre traz alguma limitação, então seu trabalho e, consequentemente, sua casa, são marcados pelo olhar funcional e lógico, mas que nunca deixa de enxergar (e exaltar) a poesia dos espaços.

Fotos por Rafaela Paoli