Uma série de características explica o porquê de o apartamento da Mathilde e de sua família ser tão especial: o espaço é bem integrado, tem cores alegres, cheiro de comida boa e traduz a bossa de um casal com origens francesas que encontrou no Brasil as condições perfeitas para construir um novo lar. “Chegamos em São Paulo a trabalho em dezembro de 2014. Ficamos apaixonados pelo país e nossa primeira filha nasceu aqui. Ela é brasileira. A partir deste momento decidimos ficar: largamos os nossos empregos de expatriados para trabalhar para empresas nacionais e, logo em seguida, a nossa segunda filha nasceu. Já sabíamos que no Brasil estava o nosso lar”, conta a moradora, que é fundadora da marca de roupas infantis Studio Pipoca.

A primeiro momento, o casal viveu em um apartamento novo em Pinheiros, mas a verdade é que eles preferiam um espaço com mais história, em um prédio antigo, então não pensaram duas vezes quando essa oportunidade finalmente chegou. Os dois nem bem estavam procurando um novo lar quando souberam de uma família francesa que iria se mudar para outro país e deixar seu apê que havia sido reformado 2 anos antes: “Esses amigos acabaram morando lá apenas por um ano, e, como tinham 3 filhos, deu para entender que o apartamento era um verdadeiro lar pra eles. Gosto de reaproveitar os lugares e criar novas histórias, e adorei o apê pois sabia que ele tinha vida”, diz Mathilde.

Na decoração, esse senso de ressignificação de objetos e histórias é o que mais inspira a moradora: “Quase nunca compro móveis novos. Amo os que já passaram por outras pessoas. Amo criar também. Fiz aulas de cerâmica para fazer pratos e depois aprendi a pintá-los”, ela se lembra. As viagens pelo Brasil também são fonte inesgotável de ideias, desde um passeio a pé pelas ruas de São Paulo até as idas à Bahia ou à Minas Gerais, estados que Mathilde admira por sua arte popular.

Apesar de inicialmente ter trazido muitos móveis da França, a família conta que se desfez de alguns deles à medida em que o clima brasileiro foi contagiando o lugar. Ainda assim, os objetos mais especiais continuam lá, carregando boas lembranças de seu país de origem. O trenó que serve de suporte para a luminária da sala é um bom exemplo: Mathilde o comprou em um família-vende-tudo e o trouxe como uma recordação do inverno europeu. Já a garrafa de Nossa Senhora de Lourdes foi um presente dado pela avó de Mathilde com o intuito de proteger o seu novo lar em São Paulo, na época da mudança de país.

Para Mathilde, é importante que sua casa seja sempre acolhedora e capaz de deixar qualquer um à vontade, por isso ela faz questão de transmitir esse sentimento à sua maneira: “Gosto de lares cheios de vida, com ou sem crianças ou pets, mas com vida. Cresci numa pequena cidade do interior no Sul da França e nossa casa vivia aberta, sempre tinha amigos da família chegando. Acho que nunca vi os meus pais trancarem a porta! Amo os lugares aconchegantes e ‘imperfeitos’, onde eu me sinto à vontade para ficar”, ela diz.

Em sua sala integrada, a mesa de jantar é usada para cozinhar, pintar, desenhar e brincar, e as crianças estão sempre por perto enquanto Mathilde faz as atividades domésticas. Pelo ar, é possível sentir o cheiro de feijão ou de torta de maçã sendo preparados na cozinha, o que já virou praticamente um ritual de bem-estar por ali: “Sempre amei as casas que têm cheiro de comida boa, me dá a sensação de que estou numa família mesmo”, Mathilde diz. Pelo clima alegre e unido no apê, não há dúvidas de que ali de fato vive uma família muito feliz.

Texto por Yasmin Toledo | Fotos por Leila Viegas