Para contar a história do apartamento do arquiteto Rodrigo e da produtora Helena, é preciso voltar algumas décadas no tempo… O imóvel foi habitado pelos avós da moradora nos anos 70, e depois virou o lar de seus pais, onde ela foi criada desde que nasceu até os 12 anos de idade. Por um período, o apê ficou alugado para terceiros, até que em 2014 a notícia de que o espaço ficaria vago chegou na hora certa: a família de Helena e Rodrigo estava prestes a aumentar, com a descoberta de que a pequena Dora já estava a caminho. “Minha infância toda foi vivida nesse apartamento e hoje tenho a emoção de ver minha filha crescendo no mesmo lugar que eu cresci”, Helena conta.

Para receber e se adaptar às necessidades da família, o apê passou por duas reformas comandadas pelo escritório de arquitetura em que Rodrigo é um dos sócios, a Vapor Arquitetura. Na primeira delas, em meio a uma mudança de layout — com novos acabamentos e marcenaria também — o piso azul, feito com epóxi autonivelante, se tornou a marca registrada do lugar. “É o caráter lúdico do projeto. Ele marca as áreas sociais do apartamento como um grande ambiente integrado, como se fosse uma varanda, boa para ter plantas, molhar, sujar e limpar. Quando acabou a obra, a primeira coisa que fizemos ao entrar na casa foi deitar no chão azul e imaginar como seria morar aqui e como a nossa filha iria gostar de brincar nele. Quando a gente recebe outras crianças, sempre falamos que moramos numa piscina, falo pra elas deitarem no piso e imaginarem… é sempre uma delícia”, lembra o arquiteto. Já na segunda reforma, novos mobiliários e cores foram adicionados ao projeto.

Helena e Rodrigo se conhecem e namoram desde o colegial, então dá pra imaginar como o casal já passou por muitas fases durante a vida. Com a chegada da Dora, o apê ganhou a configuração de um espaço de família, trazendo experiências totalmente novas: “Há um amadurecimento, e junto uma alegria que se reflete na rotina da casa. Os ambientes mudam e se tornam mais leves: todo dia a sala fica uma zona, a gente arruma à noite, e no dia seguinte continuamos nesse movimento. É natural, uma forma de apropriação das brincadeiras pelo apartamento todo, mas ao mesmo tempo é super importante a parte do arrumar, mostrando o respeito e o cuidado com a casa”, conta o casal.

Com o espaço todo integrado, os moradores brincam que a cozinha funciona como uma passagem que sempre acaba os atraindo… O que pode começar como uma simples olhadinha na horta facilmente termina com a geladeira aberta e um aperitivo sendo descoberto.

Para a família, é sempre um prazer estar junto, e a disposição aberta dos ambientes facilita bastante esse convívio, que se intensificou em 2020, com a quarentena e a necessidade de ficar integralmente em casa. “Vivemos um momento de testar a máxima da conexão, dos respeitos, e isso nos trouxe novos saberes de relação entre nós”, diz o casal. Sempre que possível, os três moradores se sentam juntos à mesa para as refeições, que acontecem em meio a conversas sobre o dia de cada um e pausas para encenar passos de dança.

Desde a história até os detalhes dos acabamentos, tudo no apê se relaciona com a identidade de seus moradores, seja pelas memórias da família de Helena, pela reforma tão sensível comandada pela Vapor Arquitetura ou pelos novos significados que a rotina cria diariamente no espaço. “Lar é uma palavra linda. Está relacionada à lareira, lugar do conforto, do encontro. Toda casa deve ser um lar. Pelo menos é algo que eu persigo nos projetos de arquitetura. Aqui, nos sentimos confortáveis, acolhidos, e, de maneira geral, o apê tem a nossa identidade”, Rodrigo diz.

Texto por Yasmin Toledo | Fotos por Felco