Para uma família francesa que se apaixonou pelo clima tropical do Brasil, não há nada melhor do que viver em um apê onde o sol pode entrar sem pedir licença e a fronteira entre o lado de dentro e o lado de fora se perde em meio ao verde das plantas. Assim é o lar de Sophie, criadora da marca de moda Vaivém. Há cerca de um ano, ela, seu marido e seus filhos se mudaram para o Brasil, mas se engana quem pensa que esse trajeto se deu com um simples voo direto da França para São Paulo: na verdade, a família passou cinco anos vivendo na Coreia do Sul, e só então veio para cá, com muita bagagem cultural e coração aberto para o que encontrariam em terras brasileiras: “Fomos conquistados por este país quente e acolhedor”, eles contam.

Sophie diz que a busca por um lar foi um pouco demorada, já que ela gostaria de morar em uma casa, mas seu marido preferia um apartamento. Com muita sorte, eles encontraram a combinação perfeita entre as duas possibilidades: um apê amplo e com ares de casa em um prédio com poucos vizinhos e muita natureza. “A arquitetura foi uma das coisas que mais gostei no Brasil, e este projeto do arquiteto Ricardo Chahin nos pareceu como um manifesto ao modernismo tropical”, a moradora fala. Aproveitando o verde das plantas que cercam o espaço e a beleza original do prédio, a família pôde fazer uso da ampla metragem para expressar todo o seu estilo e personalidade.

A decoração reflete uma mistura muito pessoal de várias influências, que mesclam suas raízes francesas, as viagens pela Ásia e, agora, a estadia no Brasil. No fim, o clima é bastante minimalista, com predomínio do branco e tons suaves, mas vale o destaque para o sofá verde escuro, que segue a paleta de cor das folhagens do lado de fora: “A natureza ocupa um lugar especial neste apartamento e está em permanente diálogo com a arquitetura… Escolhi o verde como cor forte da sala de estar para acentuar este efeito”, diz Sophie.

Fascinada por artesanatos que valorizam a cultura local dos países por onde passa, a moradora faz questão de tê-los em sua casa: da Coreia do Sul, por exemplo, vieram os vasos de cerâmica com a cor típica celadon. Para ela, os melhores objetos são os que possuem história, mas entre eles, os mais valiosos são aqueles relacionados aos amigos e à família, afinal, servem como uma boa fonte de lembrança, principalmente para quem vive longe do país natal.

Como hábito que trazem da França, a família adora receber amigos para jantares em casa, mas Sophie brinca que não é raro que agora esses encontros comecem com caipirinhas: “O espírito festivo dos brasileiros nos conquistou totalmente”, eles contam. Com uma bagagem tão bonita e tanta disposição para viver novas histórias no Brasil, os moradores conseguiram traduzir seu estilo nesse  apê alegre e acolhedor. * Não deixe de acompanhar a continuação dessa história no Capítulo 2!

Texto por Yasmin Toledo | Fotos por Maura Mello

Continua no Capítulo 2