Não é uma grande surpresa que Joana tenha se encantado pelo mundo das artes logo cedo. Sua infância no Recife foi marcada por muita inspiração criativa: não apenas pela energia e cores da cidade, mas também por influência de seus pais. “Venho de uma família de arquitetos, muito focada em beleza e bem-estar. Cresci transpirando referências e aguçando meu olhar para ver maestria até na trama da asa de uma borboleta (e como tem beleza… nossa!). O que quero dizer é que tudo me inspira”, ela conta. E sua casa, tanto quanto seu trabalho, é uma plataforma para ela colocar tudo isso pra fora.

Inclusive, o apartamento onde Joana vive atualmente com seus dois filhos traz, de certa forma, memórias das casas em que ela morou durante a infância, como o barulho do vento batendo nas plantas, o cheiro da chuva e os ambientes com bastante claridade. Mesmo estando em um apê e não tendo um quintal, a artista buscou trazer a natureza para dentro de diversas maneiras: o papel de parede tropical e a tinta verde no quarto são provas disso. E é claro que suas raízes recifenses também são um traço forte na decoração. “Acredito que o astral cheio de vida e acolhedor (que pra mim é a tradução do que é uma casa nordestina) vem através das cores e dos objetos que contam minha história”, ela define.

Joana brinca que a cozinha será sua próxima vítima da transformação. Ela pretende futuramente trocar o piso, a marcenaria, a bancada… mas, mesmo enquanto a reforma ainda não acontece, o espaço já é dos mais acolhedores. Ao invés de deixar o ambiente com uma decoração meramente funcional, ela trouxe detalhes especiais para reforçar a sensação de aconchego enquanto cozinha ou quando a família toma café da manhã, como as luminárias de rosto divertidas do artista Marcelo Cipis, o cartaz do Cartola desenhado pelo Kiko Farkas e as fruteiras de Francisco Brennand.

Em seu quarto, Joana tinha a ideia de criar um espaço-floresta. “É um ambiente apertadinho. Resolvi tirar partido dessa característica e fazer dele um lugar bem acolhedor, com cara de ninho”, diz. Foi assim que ela escolheu o painel de parede com estampa de selva, que a transporta para outros mundos. Para intensificar esse clima, a artista decidiu pintar todas as demais paredes com a cor Pimentão-Verde, da marca Suvinil. É um tom mais quente de verde que abraça o cômodo e acabou casando perfeitamente com o desenho do papel, fazendo essa natureza se estender pelo quarto todo.

“Além disso, durmo e acordo com os dois quadros que não vivo sem, bem em frente à minha cama. Um deles é o cartaz de um dos meus filmes preferidos da vida: Viajo porque preciso, volto porque te amo, com direção de Marcelo Gomes e Karin Ainouz. E o outro é uma obra do artista cearense Vitor Cesar, com uma frase linda que diz: Sempre algo entre nós”, Joana fala.

Os filhos de Joana parecem ter herdado seu gosto por mudanças. Inclusive, ela conta que seus quartos são os ambientes que mais passam por transformações, porque precisam acompanhar o crescimento e os interesses de cada um. “E aqui em casa, meus filhos gostam muito de participar de todas as decisões”, ela diz. Joaquim, o mais velho, se embalou na onda colorida e também resolveu trocar o tom da parede na lateral de sua cama: de cinza, ela passou para a cor azul Calça Jeans, da Suvinil. Assim seus quadros inspirados no mundo do basquete ganharam mais destaque.

Vivacidade e acolhimento são os lemas de vida de Joana, então era esse o clima que ela gostaria que sua casa tivesse. E realmente tem. Seu apartamento é um lar poético, mutante e potente, onde as cores, as coisas e as risadas que reverberam pelos espaços ganham proporções mágicas.

Fotos por Rafaela Paoli, do Estúdio Pulpo