Para quem sempre morou em casa, mas decidiu se mudar para um apartamento, a arquiteta Helena encontrou o endereço perfeito, capaz de unir o melhor dos dois mundos: trata-se de um apê térreo em um predinho no bairro de Pinheiros. Com muita iluminação e um jardim ao ar livre, o clima é tão aconchegante e familiar que a moradora até conta com um irmão e dois primos como vizinhos. “O prédio é antigo e foi inteiro reformado há pouco mais de dois anos. Todos nos mudamos pra cá mais ou menos na mesma época, quando tudo ficou pronto. O dia a dia é ótimo porque nos encontramos e os vizinhos se conhecem e se ajudam”, ela conta.

Na planta original, seu apartamento tinha um quarto muito grande, uma sala pequena e a cozinha separada e fechada, mas a obra que ela realizou demoliu todas as paredes e mudou bastante essa configuração. Como mora sozinha, Helena criou um ambiente único e amplo, mas ainda assim manteve a possibilidade de isolar o quarto de maneira mais livre. “A cortina faz bem esse papel de divisória, porque é possível deixar tudo aberto, meio aberto ou totalmente fechado quando necessário, além de ser leve e ocupar pouco espaço”, diz a moradora, que gosta de receber amigos para cozinhar e fazer jantares em seu tempo livre.

Como é arquiteta, Helena está sempre cercada por muitas referências, entre as quais destaca a influência portuguesa que dialoga com seu trabalho e invade o seu lar. No entanto, na hora de decorar, seu estilo é bem definido: não há lugar para excessos. Com o espaço dedicado apenas ao que considera essencial em sua rotina, a moradora gosta de apreciar a beleza do branco e do vazio — e faz tudo isso sem deixar de lado o aconchego da madeira, das texturas e dos móveis e objetos que carregam significados. 

Na sala, as duas poltronas Butterfly brancas pertenciam à casa de sua mãe e tiveram o tecido e a cor da estrutura alterados; as cadeiras e a mesa de jantar eram de sua avó; e os dois pufes vermelhos foram trazidos de uma viagem para o Marrocos. Ainda assim, o móvel mais significativo para Helena é o sofá, por ser confortável e grande o suficiente para acomodar muitas pessoas queridas: “Gosto bastante de receber amigos, e acho importante a minha casa ser um lugar receptivo, onde as pessoas se sintam à vontade”.

Já a cozinha tem uma porta ampla que emoldura o jardim, e essa é definitivamente a cereja do bolo para a sensação de casa que Helena tem quando está em seu apê. O espaço ao ar livre é privado e compartilhado apenas com uma vizinha, e é lá que a moradora gosta de ler, tomar sol e aproveitar a ducha nos dias mais quentes. “Quando mudei para o apartamento, existia essa área externa com uma mangueira e uma árvore de carambola, mas quase não haviam plantas, era escuro e muito úmido, então contratei uma amiga paisagista — a Julieta Fialho — e refizemos todo o jardim”, ela diz. 

Após uma mudança total, Helena passou a ter uma horta e jabuticabeira, além de várias outras espécies que deixam tudo mais verde e bonito. Entre as paredes e as plantas de seu apê, Helena se identifica com cada detalhe, desde os revestimentos e cores, até o aconchego na alma:  “Acho que o fato de eu ter feito a reforma e escolhido tudo aqui dentro faz com que a minha casa tenha muito a ver comigo, com o meu gosto e jeito”. 

Texto por Yasmin Toledo | Fotos por Felco