Entrar no apartamento dos arquitetos Raquel e Julio, sócios no escritório Sertão Arquitetos, é fazer também uma visita à sensibilidade do casal em sua forma mais pura. O espaço é como um casulo de memórias e afetos construído com muito cuidado e de modo quase artesanal.  Ali, eles vivem muito bem acompanhados por seus três gatos e um cachorro, que são a alma do lar. “São eles que fazem a nossa casa ser o maior refúgio de amor para nós”, os moradores contam. 

Os arquitetos já viviam juntos antes de se mudarem para o apê atual, mas aos poucos, o antigo espaço se tornou pequeno com todos os moradores felinos que foram adotados. Primeiro veio a Frida, que pertencia a uma amiga de Raquel que saiu do país; depois o Tamborim e o Gergelim para completar o time dos gatos. Com a família crescendo, eles sentiram a necessidade de trocar de endereço e o escolhido foi o apartamento atual, em um prédio pequeno e charmoso de Santa Cecília. E já que esse apê era um pouco mais amplo, eles puderam até mesmo adotar um cachorro. “A mudança foi juntinho com o casamento. Aliás, no dia em que casamos, nosso antigo apartamento era apenas caixas e mais caixas”, recordam. Para essa nova etapa, o casal encarou a mudança como uma forma de construir algo que fosse dos dois desde o começo – da busca pelo imóvel ideal até cada detalhe garimpado.

Como o apê estava recém-reformado, eles puderam ir direto para a decoração, que foi alinhada cautelosamente: Raquel abriu mão de ter paredes coloridas e Júlio concordou em deixar o minimalismo de lado. Com essa questão decidida, eles partiram para soluções no estilo ‘faça você mesmo’, como a prateleira alta, onde guardam livros e lembranças, e a estante da sala. Na mesma linha, até os objetos espalhados pelo lar seguem esse viés artesanal: 

“Eu e o Julio costumamos nos presentear com itens feitos por nós. O primeiro presente que ele me deu foi uma coleção de desenhos em aquarela das tantas mãozinhas que faço para me expressar. Elas estão na nossa galeria. Dei para ele um retrato em aquarela também, da nossa gatinha Gergelim. A galeria, inclusive, é totalmente parte do nosso tear de histórias. Ali tem as flores do buquê do casamento enquadradas; uma mão que fiz em arame; a poesia que ganhamos de presente do irmão do Julio…”, Raquel conta. Além disso, uma pitada de nostalgia torna o apê ainda mais cheio de memórias, com móveis e objetos herdados de familiares e pessoas especiais.


Como trabalham em casa, o hall de entrada se transformou em um escritório perfeito, já que é separado do resto do apê por um corredor. Enquanto o quarto e a sala são integrados e favorecem os momentos de conforto e lazer, o trabalho se restringe a esse cômodo de entrada, ajudando a separar melhor as esferas pessoal e profissional.

Com tantas memórias e projetos sob o mesmo teto e a presença dos pets sempre trazendo aconchego, o apartamento da Raquel e do Julio reflete um carinho pelo passado e os braços abertos para o futuro e seus novos planos. “Nossa casa não foi um lar desde o primeiro momento em que nos mudamos. Leva um tempo para que a gente ocupe o espaço, se acostume com o novo. É um período importante, para nos fazer perceber que o lar real está mesmo é dentro da gente”, eles falam.

Texto por Yasmin Toledo | Fotos por Gisele Rampazzo