Colcha de retalhos | Capítulo 2

Um apartamento onde a decoração conta a história de vida dos moradores

Apesar de nascida em São Paulo, a designer Elisa foi criada em Minas Gerais, onde morou por muitos anos em uma casa com um quintal construído pelos seus próprios pais. “A casa era um universo em si, passávamos dias inventando brincadeiras e tínhamos bichos, árvores e bastante espaço. Sempre gostei de ficar lá, lendo, tomando sol, contemplando a vista… quando me mudei para São Paulo sozinha, me dei conta que, para enfrentar a loucura e o ritmo da cidade e do trabalho, precisava ter um lugar gostoso para voltar. Um ninho, um cantinho para me jogar no sofá, ler, desenhar, escutar música, estar em silêncio, recuperar as forças e estar comigo mesma”, ela conta.

Não à toa, seu apê em Pinheiros é tão aconchegante e mais parece uma casa, com direito a um pequeno jardim e espaço para seu filho Max brincar à vontade. Para ela, ter o verde ao redor, ouvir a chuva cair, cuidar das plantas e vê-las crescer é um privilégio. E para que a entrada do lar se desse por essa área, toda a circulação foi alterada na reforma que aconteceu antes da mudança, fazendo com que a porta de serviço se tornasse a principal.

“Aqui tenho um pé de maracujá, uma pitangueira que fica cheia de flor e uma jabuticabeira que deu 5 jabuticabas bem docinhas este ano. Meu jardim é de baixa manutenção e alta contemplação”, Elisa brinca. Como ela trabalha em casa, ter essa vista como extensão de seu escritório é também uma fonte de inspiração e energia, assim como estar perto de seus livros e objetos, poder ter seus gatos no colo e fazer pausas para tomar um café fresco.

Para a designer, sua casa é uma extensão de suas ideias, com uma forte relação entre o que é elaborado mentalmente e o que se recebe de fora construindo seu repertório. Como resultado, seu apê é extremamente estimulante visualmente, com muitas cores, obras de arte e combinações originais.

“Tem um armarinho azul que hoje fica no quarto do Max e que é um dos primeiros móveis que comprei quando me mudei para cá. Ele já foi armário de roupas, de livros, cristaleira, móvel de banheiro… há alguns anos, chegaram as duas cabeças chinesas de papier maché, enviadas do bairro chinês de Amsterdã pelo correio por um amigo. Desde então, elas moram em cima deste armário, não importa em qual cômodo da casa estejam”, Elisa revela. Além disso, a cama do Max – com seu tamanho grande e formato de casinha – também chama a atenção. Na verdade, ele nunca chegou a ter um berço, e Elisa aproveitou um colchão que já tinha para fazer a estrutura de madeira, obtendo assim uma estética lúdica e espaço de sobra.

O banheiro também é parte importante da casa, e, durante a obra, teve sua posição alterada, assim como seu visual: “Isso foi engraçado. Minha casa da infância tinha o banheiro todo rosa, com azulejos e louças bem década de 1970. Anos depois, tive um banheiro lilás. E, quando estava planejando essa reforma, pensei que seria legal ter um banheiro rosa novamente. Como se lessem os meus pensamentos, os arquitetos do Vapor 324 sugeriram esta cor”, diz a moradora.

Assim, com memórias delicadas e liberdade criativa, Elisa entende sua casa como seu lugar no mundo: “É onde eu me refaço, coleciono as coisas que gosto, sem imposições… onde eu e o Max brincamos e cultivamos os afetos”.

Fotos por Gisele Rampazzo

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COMENTÁRIOS # 2

  1. Nossa senhor. Belíssimo lugar, super aconchegante.

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