A história dessa semana é um pouco diferente. Ao invés de distribuir uma única casa em vários capítulos, vamos mostrar para vocês quatro casas em um só espaço. Como assim? A gente explica: o arquiteto Paulo se encantou por uma construção antiga em Pinheiros, mas a área era grande demais para apenas um morador, então ele resolveu criar uma espécie de mini vila, dividindo o terreno em 4 moradias independentes, mas que se conectam por meio do jardim. O resultado dessa empreitada rendeu belas amizades e um novo jeito de viver. Olha só!

A casa do Alexandre e da Fernanda fica um pouco mais isolada das outras três, no andar de cima do loft de Marcos. Com pé-direito generoso e um terraço particular, sua configuração lembra o lar de Paulo. “Nesse projeto eu também quis incorporar a possibilidade de ter um teto mais alto, que seguisse a linha do telhado e deixasse o madeiramento e suas tesouras à mostra, por isso foi retirado o antigo forro de estuque e feito um forro de madeira, o que trouxe um aumento substancial na sensação de espaço”, o arquiteto explica.

A ligação entre a cozinha e o jardim é feita por meio de portas de vidro que abrem totalmente o vão, reforçando essa amplitude e também a luminosidade. Para conseguir criar a área descoberta, Paulo removeu parte do teto da sala, então foi preciso otimizar o espaço restante. “O contraponto desses enormes panos de vidro é que o excesso de luz solar traz o aumento do calor, por isso optei pelo piso de cimento queimado”, ele conta.

Alexandre e Fernanda se mudaram para a casinha há mais ou menos 2 anos, e desde a primeira visita eles se apaixonaram pelo quintal e pelos fechamentos de vidro. “Descobrimos que as casas estavam sendo construídas e já conhecíamos o Paulo. Gostamos do espaço e estávamos buscando uma vila ou algo similar, então deu certo. No início, uma outra amiga estava alugando o andar de baixo também”, o casal diz. Para eles, essa é uma das maiores vantagens do coliving: sempre tem alguém conhecido em alguma das casas, e assim a rotina acaba sendo mais leve.

A parte da decoração foi pensada pelo casal, considerando os elementos da arquitetura que já existiam e que possuem uma identidade marcante, como os tijolinhos brancos, o tom terroso das esquadrias e o próprio piso de cimento queimado. Alguns móveis têm um quê meio industrial, enquanto outros trazem o contraponto de aconchego. Para acomodar os equipamentos esportivos – skates, bikes e pranchas de surf – os moradores improvisaram bastante, mas funcionou. “As casas são muito versáteis. E o fato de terem uma área aberta, onde podemos tomar sol ou curtir a ducha é bem legal e agrega muito nas atividades do dia a dia”, eles falam.

“A gente gosta muito de ir decorando aos poucos, tentando trazer lembranças de viagens e objetos que tenham algum valor sentimental”, Alexandre e Fernanda explicam. E foi o que fizeram em seu pedaço! Em uma casa – ou, nesse caso, um conjunto de casas – com tantas histórias que se entrelaçam, cada morador conseguiu encontrar seu canto de tranquilidade e paz dentro da cidade. Seja curtindo o final da tarde com os amigos-vizinhos no jardim, ou lendo um livro no silêncio de um dia chuvoso. Um jeito diferente, e delicioso, de morar e conviver.

Fotos por Maura Mello