O lar de Caio é praticamente um híbrido entre casa, loft e apartamento. Ele lembra uma casa porque fica no último andar de um prédio baixinho, então tem pé-direito alto, tesoura de madeira aparente e janelas na altura das árvores. Ao mesmo tempo, o lugar revela algumas características de loft, como o mezanino na sala e os ambientes abertos, com poucas divisórias. Mas, na verdade, ele é mesmo um apartamento de 52m² transformado de maneira inteligente e inspiradora por Anna Juni, Enk te Winkel e Gustavo Delonero, do Vão Arquitetura. Com muito branco, móveis compactos e uma dose de minimalismo, o apê ganhou amplitude e muito conforto.

O morador também é formado em arquitetura, porém trabalha já há bastante tempo com exposições de arte contemporânea. Caio conheceu o pessoal do Vão na faculdade, então quando chegou a hora de reformar sua casa, ele não teve dúvidas de quem chamaria para tocar o projeto. “Somos bons amigos. Já conhecia e confiava no trabalho deles, tanto no gosto e criatividade quanto no profissionalismo”, ele conta. De fato, esse encontro deu muito certo.

O que mais chamou a atenção de Caio quando ele conheceu o apartamento foi a possibilidade de ter um pé-direito alto. Na época, um antigo forro escondia a estrutura de madeira do telhado, porém ele já imaginava como o apê ficaria depois que as alterações fossem feitas. Outro ponto importante na reforma era mudar a planta original: antes, a sala e o quarto eram integrados, mas isso não funcionaria no dia a dia do morador porque ele queria mais privacidade, então essa foi uma das principais mudanças no projeto. O novo layout inverteu a posição dos cômodos, garantindo uma otimização máxima de espaço.

“Os arquitetos propuseram uma planta que inseria o quarto onde antes ficava a copa. Ela, por sua vez, foi integrada à sala, deixando a área social muito mais aberta e iluminada. Aproveitamos o pé-direito para criar uma área extra – um pequeno mezanino – em cima do volume onde agora está o quarto”, Caio explica. Nesse bloco que esconde o cômodo, também sobrou espaço para embutir um armário alto que serve para armazenamento e camufla uma área de serviço enxuta, com direito até a um tanque ‘secreto’.

Apesar de desde o início ter imaginado como gostaria que o apê ficasse, Caio diz que foi essencial contar com a ajuda dos amigos arquitetos para que os planos saíssem do papel. “Eu tinha ideias próprias e visualizava espacialmente os elementos que queria, mas era fundamental trazer profissionais para, além de desenhar, planejar e tocar tecnicamente a obra, resolver a planta com as demandas que eu buscava, trazer ideias diferentes, detalhes de acabamento, composição de elementos, etc.”, ele fala. Realmente, quatro cabeças pensam melhor do que uma – e esse apartamento é prova viva.

Fotos por Gisele Rampazzo