Para a designer de interiores Mariana, casa é sinônimo de descanso, reflexão e retomada de energia, por isso ela buscou materializar essas sensações em uma decoração com muito branco, paredes cobertas por obras com valor sentimental e tecidos acolhedores – o linho natural das cortinas é uma maneira de traduzir esse desejo, por exemplo. Apesar da metragem generosa e da localização privilegiada, a poucos metros do Parque Buenos Aires, o apartamento alugado tem uma aura despretensiosa, com clima de casa.

Por conta da restrição ‘anti-mudanças’ imposta pela proprietária do imóvel, nada no apê poderia ser alterado, então Mari e seu marido, Rafael, precisaram lidar com as limitações dos ambientes. Na cozinha, espaço sobre o qual a moradora brinca que ‘nada se pode fazer’, o casal completou o mobiliário existente com a mesa de jantar usada pela designer quando ainda era solteira e o lustre que foi um presente de casamento de sua irmã. Por sorte, os acabamentos do cômodo já eram clarinhos, então mesmo sem poder mexer muito a família ganhou uma cozinha com o seu estilo.

Mari já trabalhou com cenografia também, então não é à toa que ela consegue criar ambientes com uma pitada de drama – no bom sentido. O corredor dos quartos tem uma atmosfera etérea com suas longas cortinas e o lustre herdado da sala de jantar de sua avó paterna. “Sempre tive vontade de ter cortinas internas em casa. O fato de a planta ser antiga e não ter uma suíte foi a oportunidade certa de incorporar essa ideia, com o tecido de linho reservando o nosso quarto”, ela fala.

No quarto de Mari e Rafael, novamente o branco prevalece. Sem poder reformar o armário existente que tem molduras de madeira nas portas, a moradora procurou criar uma decoração com pouca informação para compensar. O aconchego fica por conta das texturas da roupa de cama e das almofadas trazidas de Berlim e dos banquinhos pintados que servem como mesas laterais. Já a cadeira de balanço Thonet foi um presente do vovô Dudi e cria um canto de leitura delicioso no espaço.

Delicado e alegre como a pequena Felipa, seu quarto tem móveis aproveitados de outros ambientes. “Na volta ao Brasil, aproveitar tudo era importantíssimo para nós e motivo de orgulho para mim. Os tecidos das almofadas eu trouxe de NY pensando no futuro bebê e adoro a composição das estampas. A energia se expandiu em mim, por tudo ter se encaixado naquele momento em que as coisas tinham que ficar prontas logo”, Mari diz. O berço de Felipa foi presente de uma amiga muito especial e o grande painel colorido foi desenhado a mão pelos avós, com giz de cera no papel, como pano de fundo para sua festinha de 1 ano.

Mari não chegou a estudar arquitetura ou design de interiores – na verdade ela é formada em Relações Públicas – porém a sensibilidade para ‘pensar espaços’ sempre esteve presente e foi crescendo na medida em que se aprofundava no tema. Seu apartamento é prova viva dessa vocação: mesmo sem reformar, ela criou um lar autêntico e repleto de carinho. “Nossa casa é o lugar do pouso, do repouso, da reflexão, da conversa, do amor e da união de nós 3 como parceiros de uma vida”.

Fotos por Alessandro Guimarães