Uma casa mais alegre. Era isso o que a artista plástica Calu queria quando resolveu reformar uma construção dos anos 70 para viver com sua família: o marido Joaquim, os enteados Margarida e Teodoro, a filha Eleonora e a cachorra Pitanga. Além de montar espaços felizes que traduzissem seu olhar criativo, para ela era importante deixar os ambientes mais acolhedores para que todos pudessem curtir a casa juntos – de preferência em almoços demorados ao redor da mesa. * Ainda não leu o comecinho da história? Então veja também o Capítulo 1.

Segundo a moradora, é durante as refeições que a família fica mais perto e quando a conversa acontece, por isso a casa tem duas cozinhas – uma convencional e uma externa na edícula. A cozinha do dia a dia foi reformada também, mas ainda preserva uma aura antiguinha por conta do piso de granilite e dos armários de madeira com cara de armazém garimpados por Calu. “Eles me lembram o armazém que meu avô tinha no interior da Bahia. É ali que guardamos livros de receitas e diferentes porcelanas, muitas do meu ateliê e outras trazidas de viagem”, ela conta. O painel de azulejos na área da bancada da pia é uma criação de Calu e traz estampas que combinam com outros itens do espaço.

No lavabo, o trabalho da moradora aparece de outra maneira, mas não menos surpreendente. Além de pintar as paredes e as portas com uma tinta rosa suave, Calu customizou totalmente a cuba apoiada sobre uma bancada de concreto. “Fiz uma versão bem trabalhada e cheia de sobreposições de desenhos e estampas. Era uma cuba convencional, que pintei com detalhes em ouro. Instalamos ela descolada da parede para que a parte de trás, que também é estampada, pudesse ser vista pelo espelho”, explica.

Naturalmente, o quarto de Calu e Joaquim também esbanja cores fortes e detalhes delicados, como livros de poesia, cartões-postais, desenhos de Eleonora e fotografias – tudo emoldurado pela tinta verde da parede de cabeceira. A cama está sempre decorada com colchas e almofadas coloridas ou estampadas, como o edredom com desenhos botânicos da Coleção Natureza, que a artista desenvolveu recentemente para a Tok Stok. No banheiro da suíte o clima retrô fala mais alto com o piso de granilite rosado e as arandelas de louça originais, também customizadas por Calu. Para completar, os colares e brincos ficam expostos em ganchos ou na farmacinha antiga, trazida da fazenda da família do marido.

Eleonora, que é chamada carinhosamente de Noa, palpitou em boa parte da decoração de seu quarto, como o papel de parede – a estampa foi criada pela moradora para a marca branco. A casinha de bonecas já virou tradição da família: a peça era de Calu e de sua irmã, passou pelas sobrinhas e hoje é da filha. “Na parede oposta à cama há um universo de coisas… cerâmicas pintadas por mim, varal de luz de flores, fotografias, adesivos de estrelas, quadrinhos, uma cômoda de madeira antiga, pôster de insetos e muito mais”, Calu diz.

Talvez a melhor definição para a casa de Calu seja dizer que ela é cheia. Cheia de cores e combinações inusitadas; cheia de estampas de todos os tipos; cheia de ideias bem diferentes; cheia de móveis que carregam boas memórias; cheia de histórias… e claro, cheia de pessoas também. “Essa é uma casa que realmente está sempre cheia de amigos e da família. Uma casa cheia é uma casa com vida”.

Fotos por Isadora Fabian, do Registro de Dia a Dia