Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio.

Da porta de entrada pintada de rosa ao quarto com paredes em amarelo claro, as cores são indispensáveis no apartamento – e na vida – da designer e empresária Dai e do artista plástico e músico Jonas. O fato de morarem em um apê alugado não trouxe nenhum empecilho ao desejo de criar uma decoração colorida e acolhedora: além das paredes, os móveis, os objetos e até as plantas são pontuados por tonalidades alegres, trazendo um clima divertido aos espaços.

“Dois meses depois de nos mudarmos, tudo ainda era muito branco e não estávamos acostumados com um lugar tão grande, já que saímos de um imóvel de 60m². Esse novo apartamento resolvia nosso maior problema: espaço, mas não trazia aconchego. Apesar das plantas, ainda faltava alguma coisa, então usamos as cores para preencher o vazio”, a moradora lembra. Sem medo de arriscar, Dai e Jonas colocaram a mão na massa, ou melhor, nos rolos de tinta, e pintaram sozinhos praticamente todos os cômodos do apê – nem o lavabo escapou.

Como o imóvel estava bem conservado, Dai e Jonas não precisaram investir muito em reformas ou ajustes, apenas trocaram lâmpadas, tomadas e a fiação da cozinha. A pintura foi a única mudança puramente estética que o casal realizou no imóvel, mas como as paredes coloridas têm um grande poder de transformar a decoração, o apartamento até parece outro agora. “As cores impactaram bastante o clima do apê. Como trabalhamos em casa, é importante nos sentirmos confortáveis em diferentes aspectos e ambientes”, Dai fala.

As inspirações usadas para compor o apê extrapolam o universo da arquitetura e decoração. Parte delas vem da bagagem profissional de ambos, a outra parte tem a ver com a origem cearense do casal: “Buscamos no cinema, na música, na literatura e principalmente no sertão, referências que abraçam nossas raízes e nossos estudos, já que somos, antes de tudo, pesquisadores da nossa linguagem brasileira”, ela diz. Realmente, a casa traz um pouquinho do Nordeste para a capital paulista – não só pelo uso desinibido das cores, mas pela mistura de estilos distintos, pelo garimpo de peças e pela simplicidade com poesia. Dois bons exemplos de tesouros garimpados são a cadeira Thonart, encontrada na calçada durante um passeio com o mascote Tião, e a cristaleira antiga que pertenceu aos avós de Jonas e veio de Fortaleza.

As plantas não são mera decoração nesse apartamento. Segundo o casal, elas são o ponto alto da casa, trazendo vida e movimento. Tanto que os vasos estão sempre mudando de lugar. “Venho de uma família nascida e criada no meio do sertão do Ceará, onde a natureza e as plantas medicinais sempre tiveram um papel significativo. Poder crescer dentro desse universo, aprender com meus avós e minha mãe, fez com que minha relação com a natureza fosse bem intensa e afetiva”, a designer explica. Prova disso é que todos os cômodos têm sua dose de verde, até mesmo o corredor e o banheiro.

Dai e Jonas são multitarefas e estão criando coisas novas a todo momento, por isso era importante que o apê oferecesse espaços que atendessem a diferentes necessidades. O casal dividiu as funções do home office em dois ambientes: o escritório convencional com instrumentos, eletrônicos e papéis, e o ateliê que ocupa a antiga área de serviço, onde eles podem trabalhar com materiais diversos, como madeira, concreto e tinta.

A grande conquista do casal é abrir a porta do apartamento e se reconhecer em cada referência, em cada cor e cada planta. “Nossa casa é um pouco do que a gente carrega e encontra por aí, não necessariamente em viagens, mas no corre-corre do dia a dia mesmo”. * Está amando o apê e quer conferir mais fotos? Então veja também o Capítulo 2.

Fotos por Isadora Fabian, do Registro de Dia a Dia

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