Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio.

Cada mínimo detalhe desse apartamento leve e luminoso tem o dedinho de seus moradores: do projeto de reforma até os objetos, passando pelo mobiliário, cuja boa parte também foi desenhada por eles. Isso porque o Pedro e a Giovanna são arquitetos, urbanistas e designers no GiPE Studio – e inevitavelmente seu lar se tornou uma espécie de ateliê de experimentações, onde eles testam novas ideias todos os dias. “Nosso trabalho é uma consequência de tudo o que vivemos em casa. Como nós produzimos todas as peças que idealizamos, temos que pensar em cada detalhe do começo ao fim, da criação até o processo de execução e montagem”, explicam.

O apartamento fica na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, velha conhecida de quem trabalha com arquitetura e decoração, já que a rua concentra uma infinidade de lojas do ramo. Construído nos anos 60, na época em que a região abrigava grandes casarões e era uma área residencial, o prédio foi se modificando com o passar dos anos e atualmente tem uso misto: algumas unidades são ocupadas por escritórios, enquanto outras são moradias, como no caso de Pedro e Giovana. Essa característica acabou influenciando a reforma, pois o casal quis deixar o apê o mais flexível possível para que no futuro ele possa ser usado como espaço comercial se necessário.

“No primeiro momento, nossa estratégia foi tirar todas as paredes e fazer um grande e único espaço. Depois foi pensado um longo trilho, que atravessa todo o apartamento, por onde correm quatro portas de chapa metálica. Isso possibilita a transformação dos ambientes: da mesma forma que conseguimos usar o espaço como um todo, é possível dividi-lo em cômodos diferentes para usos distintos”, eles dizem. Além de servirem como divisórias, as portas metálicas exibem pôsteres e gravuras fixadas com ímãs que podem mudar de lugar facilmente, conforme os moradores vão descobrindo coisas novas. Com menos paredes o apê ganhou amplitude, mas também luz natural e a incrível vista para o verde das árvores, que agora pode ser contemplada de todos os pontos da casa.

Segundo o casal, a decoração foi planejada em todos os detalhes, mas isso não tira a espontaneidade do apê. Como a base da arquitetura é neutra, Pedro e Giovanna conseguiriam mudar o clima dos espaços facilmente se quisessem. “Sempre preferimos colocar as cores nos objetos, assim podemos compor de diferentes maneiras. Nossas peças queridas foram sendo adquiridas em viagens, ou são presentes e itens de família”. Para equilibrar a presença do metal, um material frio, eles apostaram na madeira, que aquece e deixa tudo mais acolhedor.

“Nossos objetos preferidos da sala são os banquinhos de madeira, produzidos no sítio em Minas. Na marcenaria do sítio todo o processo é feito manualmente e a troca de experiência com a produção de lá enriquece muito o resultado”, os moradores contam.

Antes da reforma esse apartamento era apenas mais um como tantos outros, sem grandes emoções e com uma planta compartimentada que não fazia nenhum sentido para o casal. Agora, a história é outra: “Nós cozinhamos, trabalhamos, recebemos amigos e vivemos no mesmo lugar, então não havia motivos para tantas separações e divisórias. Elas impediam a apropriação completa do espaço. Essa flexibilidade reflete a nossa personalidade de sempre descobrir coisas novas e deixar a casa aberta à criatividade”. * Gostou da filosofia de vida do casal? Então clica no botão ‘Continua…’ para ver o restante da matéria e se inspirar!

Fotos por Gisele Rampazzo

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