A casa da arquiteta Chantal tem um pouco de tudo – artesanato, móveis bem coloridos, muita madeira, peças de palhinha, paredes escuras, quartos vibrantes e um jardim dos sonhos. E qual o segredo para toda essa mistura funcionar? Ela resume em uma palavrinha só: liberdade. Liberdade para brincar com diferentes estilos, liberdade para curtir os ambientes sem paredes atrapalhando o olhar, liberdade de chegar em casa e até esquecer que está em São Paulo… “O que nos guiou foi a integração com o jardim, a abundância de iluminação natural e a abertura dos espaços para a vida fluir sem obstáculos”. * Quer acompanhar a história desde o começo? Então leia primeiro o Capítulo 1. 

O andar de cima do sobrado passou por grandes transformações durante a reforma. A principal delas foi a criação de um terraço sobre a laje da garagem, que antigamente era um espaço sem utilidade. Chantal lembra que esse trecho da casa era mal resolvido: um quarto de serviço sem vista para a rua e que ainda por cima deixava a circulação entre os outros quartos muito escura. “Você subia a escada e dava direto em uma parede. Quando abrimos tudo, ganhamos uma saleta gostosa e ensolarada, com acesso ao terraço. Hoje quando subimos a escada temos a vista das copas das árvores”, ela diz.

Com sofá rosinha e uma rede de balanço, essa saleta criada pela moradora acabou virando um lugar onde a família se reúne sem preocupação e onde a bagunça das gêmeas, Laura e Georgia, rola solta. O sofá veio do primeiro endereço de Chantal e Henrique, então é uma peça especial que agora a arquiteta deu de presente para as filhas.

O quarto das meninas é um apanhado dos móveis e objetos que elas já tinham das antigas casas. Até mesmo o papel de parede com estampa de floresta foi retirado do outro endereço e reaplicado no novo espaço. Entre as duas camas com cabeceiras coloridas, ambas desenhadas por Chantal, fica uma cadeira de escola vintage fazendo as vezes de criado-mudo. Para ajudar na organização diária, a moradora lançou mão de ideias criativas e de baixo custo, como a sapateira de madeira, a parede de cortiça para pendurar os desenhos e uma estante simples acomodando livros e brinquedos.

Em seu quarto, Chantal novamente recorreu à ideia de liberdade. Como ela não gosta muito de ambientes com móveis embutidos que limitam futuras mudanças de layout, as peças escolhidas para compor a decoração são soltas. A parede colorida é o que traz vibração ao espaço e o mais interessante é que essa solução aconteceu por acaso. “Quando nos mudamos o quarto era branco. Um dia fui organizar umas latas de tintas, pois tenho várias sobras de obras e testes, e achei esse fúcsia que usamos em um projeto do Arkitito na Casa Cor. A tinta era cara e sobrou um galão inteiro, então eu falei: é agora ou nunca! E foi”.

Era natural que a casa de Chantal fosse assim. Desde cedo ela aprendeu a não ter medo de cor. “Lembro bem do carpete vermelho do apartamento em que nasci e onde moramos até eu ter uns 13 anos. Todo mundo entrava lá e dizia ‘Carpete vermelho??!!’. Era lindo e combinava com tudo”, ela fala. Juntando sua memória visual, seus anos de experiência em arquitetura e sua intuição, a moradora lapidou uma casa cheia de alegrias e sem pretensões. É um lugar para viver bem, receber os amigos, assar um pão delicioso no final de semana, cultivar orquídeas e ver as filhas crescerem tão felizes quanto as flores.

Fotos por Gisele Rampazzo