Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

Uma parede cinza, um sofá roxo, uma bancada verde, uma poltrona amarela… na casa da arquiteta Chantaltodas essas cores se encontram de um jeito inusitado e inspirador, revelando um pouco do espírito ‘de bem com a vida’ da moradora. Acompanhada do marido Henrique e das gêmeas Laura e Georgia, de 5 anos, ela criou um lar com tudo o que a família precisava: bastante espaço para as crianças brincarem, um jardim delicioso que dá a volta na casa, luz natural na medida certa e uma decoração que é sinônimo de aconchego.

À frente do escritório Arkitito ao lado de seu irmão, Tito Ficarelli, Chantal não demorou para perceber o potencial do sobrado, construído originalmente 60 anos atrás. “A casa precisava de uma bela reforma. Por ter sido concebida há muitos anos, ela foi pensada para a vida daquela época. Tinha copa separada da cozinha e da sala de jantar, por exemplo, e visualmente tinha revestimentos antigos e fora de moda. Quebramos as paredes e integramos o andar de baixo, reformamos todos os banheiros, trocamos a posição da lavanderia…”, ela lembra.

E as mudanças foram além. Chantal e Tito desenharam um novo projeto de iluminação e elétrica usando tubulação aparente e abriram uma janela na sala para que o jardim ficasse ainda mais presente. Na área externa, um dos cantos favoritos da moradora, a edícula onde antes funcionava a lavanderia foi convertida em uma oficina e sala de jardinagem. “O jardim foi o que nos encantou na casa. Ele já tinha árvores adultas de 60 anos, maravilhosas! E até xaxins, que são uma espécie rara hoje em dia”, ela diz. Para valorizar ainda mais seu pequeno pedaço de paraíso, a arquiteta removeu espécies que faziam sombra demais e complementou a paisagem com uma horta e árvores frutíferas, como a jabuticabeira e o pé de limão siciliano.

Apesar da quantidade de alterações, afinal todos os cômodos passaram por ajustes, a reforma não demorou muito. Em três meses a família pôde se mudar para o sobrado – quer dizer, eles se precipitaram um pouquinho, mas isso rendeu uma divertida história. “Eu jurei que íamos nos mudar antes do Natal e que a festa seria em casa. Mudamos no dia 23 de dezembro, sem a pintura externa feita, e a festa foi com papelão no chão e caixas espalhadas”, Chantal brinca.

Não é exagero dizer que o jardim é o principal elemento da casa. Inclusive, a decoração também foi baseada nele, como Chantal conta: “Usamos cores e materiais que conversavam com a área externa – o verde na cozinha, o bambu, as madeiras e os estofados com tons de flores em rosa, roxo e amarelo”. Além dessa linha-guia, a moradora usou bastante a intuição para conseguir reaproveitar móveis e objetos antigos da família em um novo contexto. “Queríamos que as peças tivessem até ‘nome’, que fossem referências para nós, como o ‘sofá do vovô Tullio’. As meninas se divertem com isso, e eu conto até a história da fabricação daquela peça, ou quem deu, de quem era…”.

O cabideiro na porta de entrada, por exemplo, foi desenhado pelo arquiteto Pedro Useche e se chama ‘Árvore generosa’, o mesmo nome do livro infantil que Chantal lia para as filhas antes de dormirem. Outras peças que a família adora são a estante de madeira na cozinha, organizada de acordo com as cores das louças; as cadeiras de plástico da mesa de jantar, resistentes às crianças; e a poltrona Butterfly amarela que a moradora sempre quis. Somam-se à lista muitos livros, artesanatos comprados em viagens, cerâmicas e quadros herdados.

Cada morador se vê representado na casa de alguma maneira. Para as meninas, a parte mais legal é a liberdade de interagir com todos os ambientes, sem precisar deixar seus brinquedos restritos a um cômodo só. Para Henrique, é a fluidez dos espaços o que mais lhe agrada, pois assim ele pode conviver com todos e ficar de olho em tudo. E para Chantal, a alma da casa são as histórias de cada peça, de cada canto e de cada planta. E também o jardim, é claro: “É como diz minha mãe: parece um jardim encantado”. * E você, está amando o lar dessa família? Então clica no ‘Continua’ para ver o Capítulo 2.

Fotos por Gisele Rampazzo

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