Uma casa e todas as memórias que ela guarda não podem ser resumidas de uma vez só, então por aqui fazemos diferente. Ao invés de concentrar todos os detalhes e fotos em uma única matéria, criamos pequenos capítulos para que você possa curtir essa visita durante vários dias. É só acompanhar a ordem pelo título dos posts e apreciar o passeio sem se preocupar com o relógio. 

Construir uma casa dos sonhos ou um lar onde você se identifique com cada mínimo detalhe não é algo que acontece da noite para o dia. E Rafael sabe bem disso. Até finalmente chegar ao ponto de dizer que seu apartamento é uma extensão de si, o diretor criativo da branco. papel de parede primeiro precisou de paciência para encontrar o imóvel ideal, e depois de tempo até preencher o espaço com suas memórias e achados. “Parece clichê, mas eu escolhi e gosto de cada uma das peças que estão aqui. De fato, a construção da minha casa foi um processo que levei muito a sério e que teve para mim um gosto especial de poder ver a materialização da forma como eu enxergo o mundo em um espaço”.

A beleza do prédio construído por um grupo de amigos nos anos 50 foi a primeira coisa que chamou a atenção de Rafael, porém o apartamento em si havia passado por algumas mudanças que não o agradavam nem um pouco. Portanto a reforma comandada pelo RSRG Arquitetos teve uma grande missão pela frente: trazer luz e amplitude ao apê, reconfigurar o layout e deixar os ambientes mais pessoais, com a cara do morador – isso tudo sem estourar o orçamento. O legal é que esse desafio acabou estimulando o nascimento de ideias criativas e improváveis que trouxeram ainda mais identidade ao apartamento.

“Eu gosto muito do resultado despojado das soluções que encontramos para a arquitetura e o contraponto que isso faz com algumas peças clássicas ou contemporâneas”, Rafael diz. Um exemplo interessante são as portas de pinho-de-riga e peroba garimpadas pelo morador em um antiquário no Embu – elas precisaram de restauro, mas foram adaptadas aos vãos e hoje são destaque no apê. A parede da cozinha é outro capítulo à parte, com duas texturas ‘imperfeitas’ coexistindo: de um lado estão as marcas dos azulejos retirados na obra, do outro os blocos usados em um trechinho construído para criar o lavabo. “Acho que essa metáfora representa bem o que é a casa para mim: é a materialização de um momento da minha vida, com tudo aquilo que já foi e tudo aquilo que desejo ser”, ele completa.

Rafael conta que após a finalização da reforma ele levou cerca de um ano e meio até ter aquela sensação de missão cumprida ao olhar para sua casa. E, no entanto, volta e meia ele garimpa novos objetos para preencher o espaço. Dois itens muito queridos são a cabeça de madeira que fica no chão ao lado do pilar de concreto e um bastão usado por seu avô como bengala. “A cabeça foi a primeira peça da casa toda. Estava garimpando e quando vi a intensidade daquele olhar, senti que ela tinha muita coisa para contar e seria como uma espécie de guardiã. O bastão com as cores do São Paulo, time do meu avô, fica pendurado na parede. Vaidoso como era, ele se recusava a qualquer bengala, mas quando demos esse cajado tricolor ele aceitou”.

É impossível não se surpreender com a presença das plantas espalhadas pelo apê. Elas saem dos vasos sem nenhuma timidez, serpenteando pelas vigas de concreto, esticando seus ramos por dentro e por fora das janelas, invadindo o lavabo ou derramando as folhas sobre o chão, como se também tivessem o direito de se apropriar da casa e de tudo o que está nela. Daniela Ruiz foi quem deu o ponto de partida nesse paisagismo tão rico e mais recentemente Gabriella Ornaghi cuidou da manutenção e adicionou novas espécies para verdejar mais ainda os espaços. “Eu amo as plantas! Elas trazem uma calma e, apesar do dia corrido ou do cansaço, me ajudam a voltar para uma vibração mais tranquila”, o morador explica.

Papel de parede Liberty Branco, da marca branco. 

Rafael soube misturar peças totalmente distintas, como móveis contemporâneos, itens de artesanato popular e antiguidades, e ao mesmo tempo criar uma composição que faz todo o sentido. Ele sabe que existe um cuidado estético em suas escolhas, mas no fim das contas sua casa é um lugar para se morar e não um lugar para ser somente visto. * Ei, essa história ainda não acabou! Tem muito mais no Capítulo 2, clique no ‘Continua’ para ler.

Fotos por Alessandro Guimarães

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