“Cresci rodeada por arte. Meu pai é crítico de arte, minha tia é artista, meu avô paterno era colecionador e minha tia-avó teve uma das primeiras galerias de São Paulo”. É assim que Mariana explica como o amor pela arte está em seu DNA desde sempre. Viver nesse meio não apenas treinou seu olhar, mas despertou a vontade de criar obras com forte pegada autoral. Muitas vezes esse talento transborda e se manifesta de outras maneiras, como na decoração cheia de detalhes originais de seu apartamento. * Clique aqui para ler o Capítulo 1.

“Gosto de ter obras de arte em cada espaço, mas também de misturá-las com fotos ou objetos da nossa história pessoal. Acho fascinante pensar nessa composição e isso tem bastante a ver com a minha pesquisa como artista hoje. Meu último projeto, as colagens do livro Sobretempo, surgiu a partir do arquivo de slides de viagens dos meus avós”, ela conta. Justamente para poder destacar as peças pelas quais o casal tem um carinho especial, a decoração transmite leveza com paredes brancas e uma arquitetura sem excessos.

As paredes pintadas de azul e os móveis de madeira rústica fizeram da pequena copa um dos cômodos mais aconchegantes – e mais usados – do apê. “A copa é a nossa caverninha azul, fazemos quase todas as refeições lá”, Mari diz. Sem dúvidas a funcionalidade foi importante para determinar a posição de cada peça dentro do espaço, porém o que realmente encanta é a relação afetiva dos moradores com tudo o que está presente ali. A mesa foi desenhada pelo avô da artista, o mobiliário remete à infância de Jair, a coleção de xícaras preenche a cristaleira, os livros de receita se misturam a livrinhos infantis e por aí vai.

Em seu quarto o casal também manteve a base neutra da decoração, porém de vez em quando a roupa de cama e os acessórios dão uma injeção de cor. Quadros minimalistas e móveis pouco convencionais, como a grande poltrona dobrável e o baú que serve de criado-mudo, trazem personalidade ao ambiente. É ali que Mari expõe as fotografias pessoais mais íntimas da família, com registros de viagens, casamentos, retratos de infância e muitas fotos de seu filho, é claro.

O mesmo cuidado foi dedicado à concepção do quartinho de Miguel. “Não curtimos soluções prontas, então desde a gestação buscamos compor o quarto com itens de personalidade”. E isso inclui o adesivo colado milimetricamente pelo casal, o trocador pintado de verde, o cesto indígena para guardar brinquedos e a poltrona que foi da avó de Mari.

Mariana conta que toda vez que ela abre a porta do apê tem a sensação aconchegante de ser abraçada por sua própria história. “A composição da nossa casa deve ser feita com calma e cuidado. É preciso ser honesto com sua história e seus gostos. Para mim, é sempre uma alegria voltar para casa e estar com a minha família. Tudo isto é um lar. O nosso lar”.

Fotos por Alessandro Guimarães